Lula critica Flávio, e aliados falam em 'perseguição'
O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou de cumprir o prazo de 24 horas para entregar seu passaporte à Polícia Federal, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), e seu paradeiro passou a ser alvo de especulações ao longo desta terça-feira (27/10). A decisão do ministro Alexandre de Moraes faz parte do processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
Segundo informações do governo da Argentina publicadas na madrugada desta quarta-feira (28/10), Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas famílias entraram no país às 22h50 da terça-feira, no horário local. Às 23h30, a família embarcou em um voo privado da companhia Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo. Mais cedo, um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado dos Estados Unidos havia dito ao jornalista Tom Bateman, da BBC, que o órgão concederia vistos ao senador e a seus familiares e permitiria a entrada deles no país.
Durante as comemorações de seu aniversário de 81 anos, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno no domingo (25/10), criticou a saída do oponente. "Quem não deve não teme, o cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa", afirmou. Lula lembrou derrotas eleitorais que sofreu e disse que permaneceu no Brasil. "Eu resolvi ficar aqui no Brasil e resolvi me entregar na Polícia Federal, porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência", declarou. O presidente também disse lamentar que o senador tenha deixado o país e classificou a atitude como "vergonhosa".
O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL), afirmou em entrevista coletiva que foi surpreendido pela notícia e que desconhece o paradeiro do senador. Segundo ele, Flávio enviou uma mensagem de texto por volta das 8h dizendo que tiraria o dia para descansar e que os dois conversariam mais tarde. "Não fomos comunicados", disse Marinho.
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa de Flávio, publicou no X uma mensagem de solidariedade ao senador e à família, na qual falou em "perseguição implacável", sem mencionar a possível saída do país. Já o ex-candidato à presidência Renan Santos (Missão) divulgou nota criticando a decisão de Flávio de ir para o exterior. "Flávio é alvo de uma disputa política. A briga no STF e as investigações vão todas seguir critérios políticos. O Brasil está uma várzea. Entretanto, esta não é a postura de um líder", afirmou. Para Santos, o senador continuará atuando politicamente, mas com uma postura de "exilado" no exterior.
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