Por que Trump enfrenta o mesmo problema econômico que derrubou Biden
A economia dos Estados Unidos apresenta indicadores que, isoladamente, não sugerem crise: o crescimento permanece estável, o desemprego segue baixo e o mercado de ações está próximo de suas máximas históricas. Ainda assim, a percepção dos eleitores sobre a situação econômica é negativa, e essa distância entre os números e a experiência cotidiana acompanha Donald Trump às eleições de meio de mandato, como já havia ocorrido com Joe Biden em 2024.
Durante a campanha, Trump prometeu alívio rápido para a inflação e afirmou que baixaria os preços imediatamente. O relatório mais recente sobre a inflação divulgado antes das eleições confirmou, porém, que os preços continuam altos. As causas são distintas das enfrentadas por Biden, que lidava com as consequências da pandemia de covid-19. No caso atual, pesam os preços mais altos da energia, relacionados ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, além dos efeitos de políticas comerciais e migratórias do próprio governo.
Parte do problema está no fato de que os aumentos salariais não acompanharam o ritmo da alta dos preços. O salário médio por hora subiu 3% no último ano, enquanto os preços ao consumidor aumentaram 3,7%. Para a pesquisadora de opinião pública Celinda Lake, ligada ao Partido Democrata, a diferença começa no significado das palavras: quando economistas dizem que a inflação está caindo, referem-se à desaceleração do ritmo de aumento dos preços; quando eleitores dizem que a inflação caiu, esperam que os preços voltem ao patamar anterior. Segundo ela, os eleitores avaliam a economia com base em suas experiências pessoais, não nos indicadores.
O governo Trump aponta os cortes de impostos, o crescimento do emprego e a redução do custo de medicamentos vendidos sob prescrição como provas de que cumpre seus compromissos. O porta-voz da Casa Branca, Matthew Middleton, afirmou que a agenda econômica favorável ao crescimento amenizou a crise inflacionária herdada de Biden. O governo também tem adotado medidas para aliviar as pressões econômicas, como o pedido de limite para as taxas de juros dos cartões de crédito e a possibilidade de um pagamento de US$ 5 mil aos adultos americanos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso.
Economistas apontam, no entanto, que os preços elevados de hoje são, ao menos em parte, resultado das próprias políticas do governo, incluindo as tarifas comerciais. Um estudo do Federal Reserve de Nova York concluiu que as tarifas aumentaram os preços dos bens de consumo em aproximadamente 2,9%. O conflito com o Irã também elevou os preços do petróleo, encarecendo a gasolina. A questão às vésperas das eleições de meio de mandato é se Trump conseguirá encurtar a distância entre o desempenho da economia e a confiança dos eleitores — algo que Biden não conseguiu.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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