Por que treino intenso de 3 minutos traz mais benefícios que 1h30 de exercício moderado
Pesquisa mostra que 3 minutos de sprint alteram quase um quarto das proteínas analisadas no sangue
Um estudo publicado na revista Cell Reports Medicine indica que apenas três minutos de exercício de alta intensidade podem trazer mais benefícios à saúde do que 90 minutos de atividade moderada. A pesquisa, conduzida por cientistas americanos, mostrou que o esforço breve e intenso modifica a composição molecular da corrente sanguínea, tornando-a mais resistente a doenças.
Os pesquisadores analisaram as alterações no sangue de voluntários após treinos de diferentes intensidades. Seis séries de 30 segundos de sprints de bicicleta em velocidade máxima alteraram quase um quarto das proteínas analisadas imediatamente após o exercício. O sprint também causou mudanças em mais de 200 metabólitos e um aumento imediato nas proteínas ligadas ao crescimento dos vasos sanguíneos, à remodelação dos tecidos e à sinalização hormonal.
Em contraste, 90 minutos de ciclismo moderado e contínuo alteraram muito menos proteínas. O impacto foi menos perceptível do que o observado em pessoas correndo em uma esteira em ritmo moderado. Células adiposas humanas expostas ao sangue coletado após o sprint sofreram alterações significativas na atividade genética, mudando a forma como processam energia e respondem aos hormônios. O mesmo não ocorreu com o exercício moderado, que produziu resposta mais modesta.
Ao comparar as proteínas responsivas ao exercício com dados de saúde de mais de 53 mil pessoas do Biobanco do Reino Unido, os cientistas descobriram que muitas delas estavam associadas a menor risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Das 33 proteínas ligadas a menor risco de obesidade, diabetes tipo 2 e outros distúrbios metabólicos, 32 foram alteradas pela corrida de velocidade, contra apenas três pelo exercício moderado. Mais de um quarto dessas proteínas também foram associadas a um envelhecimento biológico mais lento.
“Foi surpreendente ver como apenas alguns minutos de exercício intenso podem desencadear uma resposta molecular significativa. Ainda mais impressionante é que esse benefício persiste oito semanas após o exercício intenso”, afirmou um dos autores, Luke Olsen, pesquisador da Universidade Rockefeller.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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