Preferência por Lula, cautela ao criticar Flávio: como a China (e a imprensa local) vê a eleição no Brasil
A imprensa chinesa tem dedicado atenção crescente à eleição presidencial brasileira, com foco nos dois principais candidatos — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) —, segundo análise da BBC News Brasil. Os veículos do país, amplamente controlados pelo governo de Pequim, refletem em suas coberturas a posição oficial chinesa, afirma Kerry Allen, analista de mídia da China do BBC Monitoring, departamento que monitora e traduz mais de 3 mil veículos em 150 países.
Na avaliação de Allen, a cobertura demonstra uma certa preferência de Pequim por Lula. "Muitos veículos de comunicação têm se mostrado muito positivos em relação a ele", diz, citando o Global Times, que descreve o petista como o político de esquerda mais influente do Brasil, com base sólida de apoio popular, vasta experiência em governança e imagem internacional positiva. Ao mesmo tempo, a imprensa chinesa tem sido cautelosa em não se mostrar crítica a Flávio Bolsonaro, segundo a analista, para evitar posição antagônica ao Brasil caso ele vença a disputa.
O Global Times afirma que Lula e Flávio têm condições iguais de ganhar. Para o jornal, Lula leva vantagem no campo econômico, por suas políticas de bem-estar social e distribuição de renda, enquanto Flávio ganharia mais votos entre eleitores preocupados com segurança. O jornal também aponta pontos negativos de Lula, como a idade avançada e problemas de saúde, e destaca que ele enfrenta dificuldades para apresentar um cenário de forte recuperação econômica. Flávio é retratado como herdeiro da base de apoio de Jair Bolsonaro, que inclui grupos evangélicos conservadores, setores agrícolas e comerciais e eleitores anti-PT.
Outro tema recorrente é se uma eventual vitória da direita poderia afastar Brasília de Pequim, dada a proximidade de Flávio com Donald Trump. Reportagem do site NetEase afirma que a política latino-americana não é guiada por ideologia e que "quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste". Para Allen, há um consenso implícito de que Lula já tem relação consolidada com Xi Jinping e um reconhecimento das falas de Flávio de que as relações comerciais não sofrerão alterações caso ele seja eleito.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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