Por que mulheres e homens votam cada vez mais diferente — e como isso pode definir eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro
Voto feminino pode ser decisivo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
As mulheres, que representam 52,8% do eleitorado brasileiro, devem ter peso decisivo na eleição presidencial. Segundo o cientista político Jairo Nicolau, professor da Fundação Getúlio Vargas, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depende, em certa medida, do apoio feminino. "Se o Flávio [Bolsonaro] consegue quebrar essa rejeição que tem entre as mulheres, aí é um passo para vencer as eleições", analisa.
Pesquisa Genial/Quaest realizada em agosto mostra Lula com 44% das intenções de voto em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que soma 39%. A vantagem do petista é puxada pelas eleitoras: 47% delas declaram voto no presidente, enquanto 35% escolheriam o senador — diferença de doze pontos percentuais. Entre os homens, Flávio lidera com 44% contra 40% de Lula. O cenário favorece o petista porque, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há 83,8 milhões de brasileiras registradas para votar, cerca de 9 milhões a mais do que os 74,8 milhões de eleitores homens.
O fenômeno do chamado "gap de gênero" ganhou força no Brasil a partir de 2018 e se intensificou nas eleições seguintes. Nicolau lembra que, em 2022, Lula venceu entre as mulheres e perdeu por pouco entre os homens, algo inédito. A rejeição feminina à direita, segundo a cientista política Luciana Veiga, professora da Unirio, não está necessariamente ligada a pautas conservadoras, mas à forma como esses candidatos se posicionam. "As mulheres tendem a ser menos agressivas e gostar menos do ataque, do confronto", afirma.
Pesquisa do Instituto Update de 2024 ilustra essa leitura: 75% das mulheres eram contra a descriminalização do aborto, mas 72% eram contra punir gestantes que interrompem a gravidez fora das previsões legais — posição majoritária mesmo entre as que se declaram de direita. Jairo Nicolau atribui a resistência feminina a Flávio Bolsonaro à herança da rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, marcada por sua biografia e pela condução da pandemia. "O que era rejeição à figura física se transformou em rejeição ao governo. E, agora, essa rejeição passou para o filho", conclui.
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