Häagen-Dazs de saída do Brasil: os 4 motivos para o adeus da marca de sorvetes
Häagen-Dazs de saída do Brasil: os 4 motivos para o adeus da marca de sorvetes
Após quase 30 anos de operação no país, a Häagen-Dazs vai deixar o mercado brasileiro. A multinacional americana General Mills, dona da marca de sorvetes premium, decidiu encerrar as vendas no território nacional. O desfecho era anunciado por números estagnados: entre 2021 e 2025, a marca se manteve em quinto lugar no setor, com 2% de participação, enquanto as vendas de sorvete no Brasil cresceram de R$ 14,7 bilhões para R$ 20,3 bilhões ao ano, segundo a consultoria Euromonitor.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam quatro motivos principais para a saída. O primeiro é a reestruturação global de portfólio da General Mills, que vem priorizando marcas americanas de maior escala. Em comunicado, a empresa afirmou que a marca não será mais distribuída no Brasil devido a um plano de reformulação de portfólio anunciado em março. Naquele mês, a multinacional vendeu suas operações no país, incluindo as marcas Yoki e Kitano, para o Grupo 3Corações por R$ 800 milhões — a Häagen-Dazs, cujos produtos são importados, principalmente da França, não foi incluída no negócio.
O segundo motivo é a mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passou a comprar menos, mas optar por produtos mais caros e de maior qualidade. Especialistas citam ainda o efeito do uso de canetas emagrecedoras, presentes em 25% a 30% dos lares do país, segundo pesquisa da NielsenIQ, e a busca por um estilo de vida mais saudável. O terceiro fator foi o fechamento das lojas próprias da Häagen-Dazs em 2018, que afastou a marca do consumidor. A empresa, que chegou a ter pontos de venda em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Brasília, passou a depender apenas do varejo.
Por fim, a falta de inovação e investimento em um mercado premium mais concorrido pesou na decisão. Nos últimos anos, marcas como Bacio di Latte, Borelli, La Basque e Heladeria Havanna abriram lojas próprias e ocuparam o espaço deixado pela Häagen-Dazs. O mercado brasileiro de sorvetes é pulverizado: 62% está com marcas que detêm menos de 1% de participação cada. A líder é a The Magnum Ice Cream, com 24%, seguida por Nestlé (7%), Jundiá (3%) e Creme Mel (2%).
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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