Petrobras encontra sinais de petróleo na bacia da Foz do Amazonas - por que projeto de exploração ali é controverso?
Petrobras encontra sinais de petróleo na bacia da Foz do Amazonas; entenda a controvérsia
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (17/8) ter encontrado petróleo na bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. O achado ocorreu no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa, e ainda não significa que a exploração seja economicamente viável na região. Segundo a empresa, as buscas na área continuarão.
A descoberta foi comemorada pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que afirmou em nota que o "otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma". A prospecção — fase de pesquisa, sem produção de petróleo — é prioridade para a companhia, que define a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, como a "provável nova fronteira energética do Brasil".
O projeto, no entanto, é alvo de controvérsia. Organizações ambientais se opõem aos planos de exploração na área, considerada ecologicamente sensível, e apontam que os impactos seriam desconhecidos e que a aposta ocorre em uma fonte energética altamente poluente. Há também preocupação com comunidades indígenas e quilombolas que vivem na região. Durante a COP30, realizada em Belém em novembro, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofrem com a perspectiva da prospecção. "É a porta de entrada para explorar toda a Margem Equatorial, e essa é uma conta que não pode ser paga pelos povos indígenas", disse.
A Petrobras argumenta que uma possível exploração "permitirá contribuir com o atendimento à demanda crescente por energia" e seria feita "com investimentos tecnológicos que garantem segurança operacional e cuidado ambiental". A autorização do Ibama para a sondagem na bacia foi concedida em outubro do ano passado, às vésperas da COP30, após anos de rejeição do órgão ambiental. A perspectiva da exploração já impacta o município de Oiapoque, o mais próximo da bacia, que enfrenta ocupação desordenada e especulação imobiliária, conforme mostrou a BBC News Brasil no início do ano.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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