Leão XIV: a voz da Igreja seja corajosa e livre no debate público
O Papa Leão XIV encontrou-se neste domingo, 27 de setembro, com os membros da Conferência Episcopal Francesa em Lourdes, no local onde os bispos tradicionalmente realizam suas Assembleias plenárias, próximo à Gruta das Aparições. Segundo o Pontífice, a escolha do lugar manifesta o desejo de colocar a Igreja na França sob a proteção da Mãe de Deus, pois, afirmou, "não há melhor caminho para chegar a Jesus do que através de Maria".
Em seu discurso, o Papa traçou um panorama da Igreja local, com seus problemas e potencialidades. Diante dos desafios do tempo presente, exortou os bispos à coragem, à audácia e à criatividade missionária. Pediu que não se deixem desanimar pelos erros, pelas incoerências nem pelas quedas que marcaram a história do povo de Deus, e que tenham sempre a coragem de reconhecer os erros com amor à verdade e a determinação de tratar as feridas com a caridade do Bom Pastor. "Levantem-se, pois, com esperança e nunca se cansem de anunciar o Evangelho!", disse.
Leão XIV ressaltou a contribuição da Igreja francesa para a história do país, como parte integrante de sua cultura e identidade. Por isso, afirmou que sua voz tem todo o direito de estar presente no debate público na França, citando como exemplo os recentes debates sobre o final da vida. O Pontífice também mencionou a contribuição da Igreja ao tema da paz, em um contexto que descreveu como de polarização inquietante, declínio da fraternidade e da qualidade da vida social, além do recrudescimento da violência, das desigualdades e da pobreza, não só na França, mas em todo o Ocidente.
Sobre os abusos contra menores cometidos por membros do clero ou no contexto eclesial, o Papa agradeceu às medidas corajosas adotadas pela Conferência Episcopal, por meio da escuta, da busca da verdade, da justiça, do perdão, da reparação e do compromisso com uma cultura de prevenção e proteção. Reconheceu que alguns momentos foram muito difíceis para a Conferência e pediu que prossigam no caminho iniciado, mantendo a máxima vigilância.
O Pontífice também manifestou dor pelo "triste declínio" das vocações para a vida consagrada, em particular para a vida contemplativa, mencionando o encerramento, recente ou iminente, de antigas e prestigiadas comunidades monásticas. Para ele, o enraizamento da fé no seio das famílias é a chave para resolver muitas crises enfrentadas pela Igreja e pelas sociedades. Por fim, exortou à unidade, alertando que as divisões ideológicas tornariam vão o testemunho da Igreja na França, e confiou os bispos e todo o país à proteção maternal de Nossa Senhora de Lourdes.
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