O relacionamento humano em tempos de conexão digital
O contato humano, antes marcado pela presença, pelo olhar, pela escuta, pelo toque e pela conversa, passa, cada vez mais, a ser mediado pelas tecnologias digitais. A avaliação é de Dom Oriolo, bispo da Igreja Particular de Leopoldina, em Minas Gerais, em artigo publicado nesta segunda-feira.
Segundo o bispo, o cenário ao redor mudou. Já não se encontram com a mesma frequência pessoas simplesmente em contato umas com as outras, mas conectadas a smartphones, tablets e computadores. Os dispositivos móveis, escreve, tornaram-se para muitos uma extensão da própria vida, presentes no trabalho, no lazer, na família, na Igreja e nos momentos de descanso.
Dom Oriolo reconhece que a conexão digital ampliou possibilidades de aprendizado e de expressão, aproximou pessoas fisicamente distantes, garantiu acesso rápido a informações e permitiu manter vínculos afetivos com familiares e amigos ausentes. Ao mesmo tempo, observa que essa realidade transforma a maneira como as pessoas se relacionam.
O bispo afirma que o mundo digital não é apenas uma ferramenta, mas um ambiente que influencia a construção da identidade e dos relacionamentos. Ele aponta um risco profundo por trás da agilidade no domínio das ferramentas digitais: a transformação do funcionamento intelectual e emocional. A presença onipresente das telas, diz, cria barreiras para o aprendizado do amor, da convivência e da partilha — valores que, segundo ele, não podem ser ensinados por algoritmos, mas apenas vivenciados no contato humano.
Dom Oriolo cita a Primeira Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios — "Eu vos alimentei com leite, não com alimento sólido, porque não éreis capazes" (1 Cor 3,2) — para afirmar que a conexão digital costuma oferecer um alimento líquido e superficial. Ele menciona que a velocidade de circulação da informação e a personalização de conteúdos impulsionados pela Inteligência Artificial dificultam a distinção entre fatos, opiniões ou conteúdos deliberadamente manipulados.
Conclui que o amadurecimento humano e espiritual exige a coragem de buscar o alimento sólido, com olhar crítico sobre o que se consome nas telas. Para o bispo, o ecossistema on-life traz facilidades, mas nenhuma Inteligência Artificial substituirá o toque, a escuta e a vivência em comunidade.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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