O aborto nunca é uma escolha verdadeira
Mãe protege filho sob escombros na Colômbia e expõe contraste com leis de aborto nos EUA
Imagens que circularam nas redes sociais e nos noticiários mostram uma mãe que protegeu com o próprio corpo o filho recém-nascido durante o desabamento de um prédio de cinco andares no bairro de Ciudad Capri, em Cali, na Colômbia, após um terremoto de magnitude 7,4. A mulher e o bebê foram resgatados com vida pelas equipes de busca e estão fora de perigo. A cena, marcada pela solidariedade das equipes de resgate, contrasta com outra realidade, a cerca de 4.300 quilômetros de distância, em Massachusetts, nos Estados Unidos.
No estado americano, foi assinada a lei “Prioritizing Patient Access to Care Act”, que elimina o limite da 24ª semana para a interrupção voluntária da gravidez e amplia a discricionariedade do julgamento profissional do médico. Atualmente, dez estados americanos não estabelecem limites gerais para o aborto. No texto da lei, a palavra “cuidado” aparece como sinônimo de morte, em uma abordagem que não prioriza a vida.
O cenário se repete em outras partes do mundo. Luxemburgo incluiu na Constituição a liberdade de recorrer ao aborto, tornando-se o segundo país, depois da França, a ter menção explícita ao tema na Carta Fundamental. O Reino Unido, por sua vez, descriminalizou o aborto realizado fora do âmbito normativo. Em quase todos os países onde leis permitem a interrupção da gravidez, existem artigos que preveem assistência, cuidados e apoio para evitar a prática, mas essas normas permanecem, na prática, sem aplicação, principalmente por serem consideradas onerosas.
O debate evidencia diferentes maneiras de entender o valor da vida humana. Enquanto a mãe colombiana se fez escudo para salvar o filho, as leis aprovadas em outros lugares propõem eliminar o problema sem oferecer alternativas reais. Uma escolha verdadeira, segundo a análise, exigiria oferecer caminhos e apoios psicológicos, econômicos e espirituais, o que tem um custo mais alto em termos de recursos. A distorção está em esconder o sofrimento e a dificuldade, em vez de acolher quem se encontra em situações extremas e não encontra saídas.
Um Estado revela seu horizonte quando cuida dos cidadãos, garante a paz, a igualdade e a liberdade de expressão, e protege a vida. A humanidade que não mata, mas ama e assume responsabilidade, é a que se move entre os escombros para salvar uma vida e se alegra plenamente quando isso acontece.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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