Moraes usa relatórios frágeis da Polícia Federal para investigar Mendonça
Moraes usa relatórios frágeis da Polícia Federal para investigar Mendonça
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu a abertura de investigação contra o colega de Corte André Mendonça. O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, e tem como base documentos de inteligência da Polícia Federal que trazem ressalvas sobre a própria veracidade e admitem falta de provas concretas. A situação aumenta o clima de tensão institucional no tribunal.
Os quatro relatórios da PF usados por Moraes não têm data nem assinaturas e são classificados apenas como documentos de trabalho. Os próprios investigadores alertam que as informações não têm valor de prova judicial e que algumas conclusões vão além do que os dados comprovam. A equipe de inteligência classificou como de confiança baixa a tese de que Mendonça agia por motivação política, indicando que o uso externo dessas suspeitas seria precipitado.
A PF também menciona o que chama de suspeição reversa, admitindo que a corporação pode ter viés contra Mendonça por se reconhecer como parte interessada na disputa. Os policiais alertaram que suas análises poderiam estar contaminadas por frustrações com decisões anteriores do magistrado. Juristas ouvidos afirmam que essa cautela foi desconsiderada por Moraes ao transformar hipóteses em acusações formais.
Entre os episódios citados estão suspeitas sobre a atuação de Mendonça em casos envolvendo o Banco Master e o INSS. Um dos pontos relata que o ministro teria entregue uma ordem judicial em papel antes de assinar o documento no sistema eletrônico. A PF verificou que os textos eram idênticos, mas Moraes tratou o caso como irregularidade grave. Há ainda uma análise estatística que sugere que Mendonça acelerava processos contra opositores e atrasava casos de aliados, classificada pela própria PF como suspeita circunstancial e frágil.
Fachin retirou os documentos do Inquérito das Fake News e deve assumir a relatoria de novas petições para tratar o caso de forma isolada. Ele deu prazo de cinco dias para os dois ministros se manifestarem e sinalizou que não pretende acelerar a análise, que provavelmente só ocorrerá após o segundo turno das eleições. Nos bastidores, a estratégia é tratar o assunto com discrição para evitar o aumento do racha interno no STF, cogitando-se até o arquivamento dos pedidos para preservar a estabilidade da Corte.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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