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Mercado se anima com possível disparada da Bolsa pós-eleições: como surfar?

Atualizado em 30/09/2026 às 08:20 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A quatro dias do primeiro turno, parte do mercado financeiro trabalha com a hipótese de que o resultado da eleição presidencial provoque um movimento forte na Bolsa brasileira. Segundo relatos de especialistas ouvidos pelo setor, uma vitória da oposição desencadearia um rali, enquanto a reeleição do atual presidente provocaria perdas, mas em menor proporção. Quem pretende fazer uma aposta direcional no pleito, no entanto, precisa dimensionar bem a posição e saber como se proteger caso o cenário esperado não se confirme.

Na semana passada, Luís Stuhlberger, gestor do fundo Verde, um dos maiores multimercados do País, afirmou que a Bolsa pode subir 30% em caso de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Ninguém tem ação, se entra uma onda de gente comprando sobe muito", disse o gestor. Outros especialistas também veem esse potencial, ressaltando que a alocação em ações brasileiras está na mínima histórica. "Qualquer movimentação de fundos quantitativos pode levar a uma alta na Bolsa", afirma Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, para quem o estrangeiro pode ver no Brasil um trade eleitoral, como ocorreu na Colômbia e na Argentina. Já na queda, a magnitude não seria a mesma. "Como pouca gente tem, não tem quem venda", explica.

O estrangeiro retirou R$ 38,26 bilhões da Bolsa entre maio e agosto, segundo dados da Elos Ayta. Para Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, esses recursos podem voltar com uma vitória de Flávio, pela expectativa de maior disciplina fiscal. Ele, no entanto, dá preferência a uma carteira diversificada que pode ir bem em qualquer cenário, com nomes defensivos e de qualidade, citando os setores de saneamento, energia elétrica e telecomunicações. Anderson Moreira, especialista de investimentos da DEX, é mais cauteloso: para ele, o potencial de volatilidade é alto se o resultado destoar das pesquisas, mas "é difícil cravar que a Bolsa vai subir X% ou cair Y%" conforme o vencedor, já que as tensões geopolíticas também pesam sobre os preços. Diante disso, sugere separar uma parcela tática de até 5% do patrimônio para uma estratégia direcional, "desde que o investidor entenda os riscos e os cenários possíveis".

Se a aposta direcional não for bem-sucedida, a proteção mais simples, segundo Moreira, é ter ativos atrelados ao dólar e descorrelacionados da eleição, como ETFs de ações americanas ou globais negociados na B3. Comprar opções de venda de ETFs do Ibovespa ou vender contratos futuros do índice também protege a carteira, mas exige mais conhecimento e pode gerar perdas maiores que as estimadas, principalmente com alavancagem. Bohm sugere buscar proteção dentro da própria Bolsa, com empresas que ganham com o dólar mais alto, como Suzano (SUZB3), WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3). Passero propõe combinar ações brasileiras com a bolsa da Coreia do Sul, que, segundo ele, tem a menor relação preço/lucro projetada entre os principais mercados.

Para quem prefere a renda fixa, o Tesouro IPCA+ (NTN-B) pode se valorizar se os juros reais caírem, mas os especialistas alertam que não se trata de uma alternativa sem risco. Para Bohm, nos vencimentos longos o risco é similar ao da Bolsa, e as taxas devem subir com uma vitória de Lula, gerando perdas na marcação a mercado. Passero é mais pessimista e vê assimetria negativa nas NTN-Bs. Com Lula, diz, as taxas voltariam a IPCA + 8% e haveria muitos vendedores, já que as carteiras estão carregadas desses títulos. Com Flávio, faltaria comprador adicional, porque o estrangeiro tenderia a migrar para as ações. "A NTN-B pode ser uma aposta ruim", afirma.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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