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Em 7 pontos, entenda por que VALE3 apagou os ganhos de 2026 — e o que vem agora

Atualizado em 30/09/2026 às 08:35 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A Vale (VALE3) encerrou setembro em um ponto que combina pressão no gráfico e dúvida sobre o valuation da companhia. Após semanas de queda, a ação apagou os ganhos que ainda acumulava em 2026 e voltou ao campo negativo no ano. O papel fechou a terça-feira (29) em queda de 2,18%, a R$ 69,61, acumulando perda de 10,58% no mês e recuo de 0,87% no ano. A mínima da sessão, de R$ 69,29, reforça a importância da região atual: é a partir dela que o mercado pode começar a mostrar se a correção está perto de perder força ou se ainda há espaço para uma nova etapa de baixa.

O preço, sozinho, não explica o momento da Vale. O minério de ferro voltou a rondar os US$ 94 por tonelada, enquanto as siderúrgicas chinesas enfrentam margens apertadas. Segundo relatório do Bradesco BBI divulgado em 29 de setembro, o minério de 61% estava US$ 3 abaixo da semana anterior, pressionado por dados mais fracos da China, margens comprimidas e perda de força na produção de aço. As margens domésticas de HRC e vergalhão permanecem negativas, e a utilização dos altos-fornos recuou para 88,5%. Nos principais portos chineses, os estoques chegaram a 152,2 milhões de toneladas, 15% acima de um ano antes, enquanto as siderúrgicas elevaram suas reservas para o equivalente a 27 dias de consumo.

Em relatório de 29 de setembro, o UBS calcula que, com o minério perto de US$ 95 por tonelada, entre 100 milhões e 150 milhões de toneladas da oferta global já operam no breakeven ou com geração de caixa negativa. Cerca de 90% da oferta global opera com custos abaixo de aproximadamente US$ 92 por tonelada, enquanto os 10% de maior custo ficam acima desse nível. Isso não impede novas quedas, mas torna cada dólar adicional de baixa mais doloroso para produtores de custo elevado e aumenta a chance de alguma resposta pelo lado da oferta.

A Vale chega a esse ambiente relativamente protegida da disparada do frete. Após reunião com a administração em 18 de setembro, o Bradesco BBI destacou que mais de 90% da exposição a combustível da companhia em 2026 estava protegida por hedge, com custo esperado de frete perto de US$ 20 por tonelada, contra aproximadamente US$ 43/t no mercado spot naquele momento. Para 2027, cerca de 75% da frota já estava contratada por time-charter, e perto de 70% do consumo de bunker estava protegido a um equivalente de Brent de cerca de US$ 70 por barril. A companhia também mantém no cobre sua principal avenida de crescimento: relatório do Itaú BBA de 18 de setembro aponta trajetória que pode levar a produção de aproximadamente 380 mil toneladas anuais atualmente para cerca de 500 mil toneladas em 2030.

No gráfico semanal, VALE3 permanece dentro de um canal descendente e abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, após três semanas consecutivas de queda. Se o nível de R$ 69,29 for perdido de maneira consistente, especialmente com aumento de volume, a correção pode buscar inicialmente R$ 62,81, com regiões mais amplas entre R$ 58,70 e R$ 56,16 e, em movimento mais intenso, referências em R$ 47,33 e R$ 44. Do outro lado, a primeira melhora relevante exigiria a retomada de R$ 75,70. No gráfico diário, o IFR de 14 períodos caiu para 25,41 pontos, entrando em região de sobrevenda, o que pode abrir espaço para um repique técnico — mas ainda falta sinal de reversão, já que o papel segue abaixo das médias de 9, 21 e 200 períodos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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