Lula x Flávio: como a disputa chegou ao 2º turno mais acirrado da história
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam neste domingo (25) o segundo turno das eleições presidenciais, após três semanas de campanha marcadas por uma reação do presidente nas pesquisas que, no entanto, não foi suficiente para inverter as posições nos principais levantamentos. Os dois chegam à votação em situação de equilíbrio técnico, segundo os institutos.
As pesquisas divulgadas neste sábado (24) apontam empate técnico. Datafolha e Quaest registraram o mesmo placar em votos válidos: 51% para Flávio e 49% para Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A AtlasIntel/Bloomberg também mostrou o senador numericamente à frente, com 50,8% contra 49,2% do presidente — diferença de 1,6 ponto percentual, dentro da margem de erro de um ponto para cada candidato. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Diante da possibilidade concreta de derrota, a campanha petista mudou de estratégia e intensificou a mobilização de apoiadores, com influenciadores digitais, parlamentares recém-eleitos e grupos organizados nas redes sociais. A campanha também ampliou a divulgação de medidas como a redução da jornada de trabalho, a renegociação de dívidas de microempreendedores e a proposta de transporte público gratuito nos fins de semana. A reação apareceu nos levantamentos: na primeira pesquisa Datafolha após o primeiro turno, Flávio tinha 52% contra 48% de Lula; a diferença diminuiu nas rodadas seguintes e chegou ao empate numérico de 50% a 50% na quinta-feira (22). Na medição final, porém, o instituto voltou a registrar 51% para Flávio e 49% para Lula.
Para o cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), a reação da base de Lula esteve associada à percepção de que a derrota havia se tornado uma possibilidade real. Em entrevista ao Mapa de Risco, do InfoMoney, na quarta-feira (21), o pesquisador avaliou que a mobilização digital e nas ruas contribuiu para reduzir a diferença entre os candidatos.
Do outro lado, Flávio consolidou a candidatura e atraiu grande parte do eleitorado do pai, Jair Bolsonaro, que permanece inelegível. No segundo turno, buscou ampliar o diálogo com empresários, partidos de centro-direita e eleitores menos identificados com o bolsonarismo, com mais espaço para propostas econômicas, ajuste fiscal, redução de impostos e segurança pública. O comparecimento pode ter peso decisivo: mais de 33 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno, número muito superior à diferença entre os dois candidatos. Entre os entrevistados pelo Datafolha mais propensos a votar, Flávio aparece com 52% contra 48% de Lula; entre os de propensão média ou baixa, a relação se inverte, com 52% para o presidente e 48% para o senador.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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