Lula e Trump levam divergências políticas para abertura da Assembleia Geral da ONU
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, abrem nesta terça-feira (22) o debate de líderes na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O encontro ocorre em meio a tensões diplomáticas e pressões eleitorais nos dois países, com discursos que devem contrastar a defesa brasileira do multilateralismo e as críticas americanas aos organismos internacionais.
Lula deve concentrar seu pronunciamento na defesa da soberania nacional e do multilateralismo — a ideia de que os países devem atuar em conjunto em instituições internacionais para resolver problemas globais. O presidente brasileiro pretende sugerir mudanças na estrutura das Nações Unidas para ampliar a voz do chamado Sul Global, grupo que reúne nações em desenvolvimento. Entre os temas centrais de sua fala estão ainda o meio ambiente, a sustentabilidade e o papel do Brasil como possível mediador em conflitos internacionais, buscando projetar o país como interlocutor relevante para a paz mundial.
Trump deve manter o tom crítico adotado em anos anteriores, atacando a ONU por considerá-la burocrática, ideologicamente aparelhada e ineficiente na resolução de crises. O presidente americano deve apresentar argumentos favoráveis a ações militares, especialmente em relação ao Irã, e cobrar de outros países maior responsabilidade na proteção de rotas comerciais, como o Estreito de Ormuz. Seu discurso será fortemente voltado ao público interno dos EUA, com foco em políticas de combate à imigração e medidas econômicas unilaterais para reforçar sua base eleitoral antes das eleições de meio de mandato.
Segundo especialistas citados na reportagem, tanto Lula quanto Trump usarão o palco das Nações Unidas para criar fatos políticos que beneficiem suas agendas domésticas. Trump enfrenta as eleições de meio de mandato, as midterms, nas quais o Partido Republicano busca manter ou conquistar maiorias legislativas, e por isso deve exaltar a prosperidade de seu governo e criticar gestões anteriores. Lula, por sua vez, foca na defesa das instituições e da soberania, embora deva evitar mencionar o Supremo Tribunal Federal desta vez, devido ao clima de crise institucional e a sanções internacionais recentes.
Apesar das tensões — o governo Trump impôs tarifas e fez cobranças severas ao Brasil por falhas no combate a grupos como o PCC e o Comando Vermelho —, não se espera que Lula ataque o americano diretamente. O clima de tensão é alimentado por possíveis sanções dos EUA a ministros do STF com base na Lei Magnitsky, regra americana que permite punir estrangeiros acusados de corrupção ou violação de direitos. O governo brasileiro monitora se Trump colocará o país no grupo de nações criticadas por não seguirem os interesses americanos ou se manterá a química positiva vista em encontros passados.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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