Lula anuncia proibição das bets no Brasil: entenda a medida e até quando apostadores poderão sacar dinheiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na noite desta sexta-feira (25/9) uma medida provisória que proíbe as plataformas de apostas online no Brasil, as chamadas bets. O anúncio foi feito durante evento em São Paulo, a nove dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que discursou no evento, novos depósitos nas casas de apostas já não são aceitos a partir desta sexta. Os usuários terão até as 23h59 do dia 5 de outubro para solicitar a retirada dos saldos remanescentes. A partir do dia 6 de outubro, as plataformas sairão do ar.
O governo divulgou um cronograma para o resgate dos valores:
- Até 5 de outubro: apostadores devem retirar os saldos das plataformas até as 23h59;
- 6 de outubro: sites e aplicativos saem do ar, com bloqueio determinado a lojas de aplicativos e provedores de rede;
- 7 e 8 de outubro: plataformas reúnem informações de saldos por CPF daqueles que não fizeram a retirada e encaminham aos bancos;
- 9 a 14 de outubro: devolução dos saldos aos apostadores via bancos;
- 14 de outubro: em caso de impedimento, a Caixa Econômica Federal intermediará a devolução dos saldos.
Durigan afirmou que as apostas têm comprometido a renda das famílias brasileiras e causado endividamento. Lula comparou os efeitos das bets ao início da epidemia de crack no Brasil e disse que as apostas se transformaram em uma "jogatina sem controle", atingindo especialmente pessoas de baixa renda e jovens. O presidente também enviou ao Congresso um projeto de lei que estabelece penas para quem operar ou divulgar sites de apostas.
Entidades do setor reagiram à decisão. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) criticou a proibição e afirmou que ela rompe o marco regulatório criado pelo governo e pode levar parte dos apostadores para plataformas clandestinas. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) declarou que a medida colocará mais de 30 milhões de apostadores no mercado ilegal. O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, disse que as empresas irão acatar a decisão, mas estudam formas de derrubá-la.
A medida provisória entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para seguir valendo. Nesse período, os parlamentares podem aprovar o texto, modificá-lo ou rejeitá-lo; sem votação dentro do prazo, a medida perde a validade. O governo também anunciou reforço na fiscalização do mercado ilegal, com força-tarefa envolvendo ministérios da Fazenda e da Justiça, Receita Federal, Polícia Federal, Anatel e Advocacia-Geral da União, além do uso de inteligência artificial para identificar sites irregulares. A população poderá denunciar ofertas de apostas ilegais pelo Fala.BR.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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