Luís Pablo exige que entidades de imprensa processem Alexandre de Moraes
O jornalista Luís Pablo, do Maranhão, cobrou nesta quinta-feira (13) que as entidades de defesa do jornalismo deixem as notas de repúdio e entrem com ações judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro Alexandre de Moraes. Alvo de busca e apreensão no inquérito das fake news, o repórter afirma que a investigação viola o sigilo de fonte e cria um precedente perigoso que pode criminalizar o trabalho de jornalistas em todo o país.
A investigação contra Pablo começou em março de 2026, depois que ele publicou uma reportagem revelando que o ministro Flávio Dino estaria utilizando veículos oficiais de forma irregular. Com base na publicação, o jornalista foi acusado de perseguir o magistrado e sua família. O STF decidiu incluí-lo no inquérito das fake news e ordenou operações de busca e apreensão contra ele. Pablo defende que sua atuação foi baseada no interesse público e que as medidas são desproporcionais para um profissional que exercia sua função.
O jornalista afirma que a perícia nos equipamentos apreendidos identificou o ex-delegado Raimundo Cutrim como sua fonte, o que resultou em uma nova operação policial contra ele nesta semana. O sigilo de fonte é um direito garantido pela Constituição que permite ao jornalista não revelar quem lhe passou uma informação, para que o público tenha acesso a fatos relevantes sem que o informante sofra retaliações. Para Pablo e especialistas, a quebra do sigilo por ordem judicial enfraquece a democracia e intimida quem deseja denunciar irregularidades.
Moraes defendeu publicamente a legalidade das medidas. Ele argumentou que a proteção à fonte é uma garantia constitucional importante, mas não pode ser usada como escudo para esconder atividades ilícitas ou proteger o que classificou como organização criminosa. O ministro afirmou que o sigilo da fonte serve para defender a democracia, mas não deve se confundir com impunidade para crimes, e indicou que os recursos sobre o caso serão julgados pela sua turma no STF.
Diversas entidades de defesa do jornalismo manifestaram repúdio e preocupação com a operação contra Pablo, mas o jornalista cobra que elas partam para ações judiciais concretas no STF. Devido à repercussão negativa, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, indicou que pode levar o tema para discussão entre todos os ministros. Fachin acredita que a força do tribunal deve vir de decisões conjuntas, especialmente em temas sensíveis como a duração de investigações monocráticas e o cumprimento de garantias fundamentais da liberdade de imprensa no país.
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