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Juiz que atuava na falência do Banco Santos é afastado após gravação com herdeiros

Atualizado em 18/08/2026 às 07:20 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
Juiz que atuava na falência do Banco Santos é afastado após gravação com herdeiros

O corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell, afastou nesta quarta-feira (12) o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências de São Paulo, responsável pelo processo de falência do Banco Santos. A decisão ocorreu após o jornal Estadão divulgar uma gravação de uma reunião em que o magistrado teria sugerido aos herdeiros do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira a venda do banco ao Master, de Daniel Vorcaro, além da contratação de advogados pela família. Os detalhes da decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estão sob sigilo.

Segundo a gravação divulgada pelo jornal, a reunião ocorreu em agosto de 2024, meses após a morte de Edemar, sem a presença da defesa dos herdeiros. Participaram do encontro os três filhos do ex-banqueiro: Rodrigo, Eduardo e Leonardo. Na ocasião, Furtado teria sugerido mais de uma vez que a venda ao Master seria a melhor alternativa para encerrar a falência. O magistrado também teria afirmado que a família poderia deixar o processo e abrir mão de ações de responsabilização movidas contra os herdeiros de Edemar. O encontro foi organizado pelo então administrador judicial da massa falida, Vânio Aguiar, que não tinha procuração para representar nenhuma das partes.

O afastamento ocorre após uma série de medidas adotadas pelo CNJ em relação à falência do Banco Santos. Em julho, Campbell havia determinado a suspensão do processo e afastado Vânio Aguiar da administração, atendendo a um pedido da família de Edemar. Os herdeiros também haviam pedido o afastamento de Furtado, que foi mantido no cargo naquela ocasião.

A falência do Banco Santos se arrasta há mais de duas décadas na Justiça paulista. Fundado por Edemar Cid Ferreira, o banco sofreu intervenção do Banco Central em 2004, quando o rombo estimado era de cerca de R$ 700 milhões. No ano seguinte, Vânio Aguiar, então chefe do Departamento de Supervisão do BC, foi nomeado liquidante e posteriormente responsável pelo pedido de falência. O processo foi marcado por disputas em torno do patrimônio de Edemar, incluindo o bloqueio de bens no exterior e o leilão de obras de arte e de uma mansão.

O ex-banqueiro chegou a ser preso e condenado pela Justiça Federal a 21 anos de prisão por crimes como formação de quadrilha, gestão fraudulenta, desvio, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Posteriormente, conseguiu a anulação da ação em que havia sido condenado e foi absolvido em outro processo criminal. Edemar morreu em janeiro de 2024, aos 78 anos, após anos de disputas judiciais envolvendo a massa falida do Banco Santos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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