IRB surpreende no 2T e ação sobe 6% – mas olhos se voltam para “gatilho de 30%”
As ações do IRB Re (IRBR3) fecharam em forte alta nesta sexta-feira (14), avançando 5,78%, a R$ 52,33, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. O movimento reflete números melhores do que o esperado pelo mercado, impulsionados por uma forte melhora operacional e por resultados financeiros favoráveis.
O IRB reportou lucro líquido de R$ 158 milhões no trimestre, alta de 55% em relação ao trimestre anterior e cerca de 10% acima do mesmo período de 2025. O resultado superou tanto as projeções do Goldman Sachs quanto as estimativas de consenso de mercado. Segundo o Goldman Sachs, o lucro veio 13% acima de suas estimativas, beneficiado por um resultado operacional melhor e por receitas financeiras mais fortes. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) alcançou 12,5%, acima dos 8,2% registrados no primeiro trimestre.
O índice de sinistralidade recuou para 41,8%, ante 58% no primeiro trimestre e 51,9% um ano antes. A melhora foi impulsionada por uma reversão de aproximadamente R$ 139 milhões em reservas IBNR no Brasil, relacionadas principalmente ao segmento patrimonial. Essa reversão reduziu significativamente as despesas com sinistros e fez com que o resultado de subscrição avançasse de forma expressiva. O lucro de underwriting atingiu R$ 250 milhões, crescimento de 39% na comparação trimestral.
Contudo, o JPMorgan considera que boa parte da surpresa positiva veio justamente desse efeito não recorrente sobre reservas e alerta que esse benefício dificilmente se repetirá nos próximos trimestres. Para o banco, a baixa sinistralidade observada no período não representa necessariamente um novo patamar estrutural de rentabilidade. Já os prêmios emitidos caíram 14% na comparação anual, para R$ 1,15 bilhão. No mercado brasileiro, a queda foi de 19%, refletindo principalmente retração em agronegócio, riscos especiais e vida. Os prêmios retidos recuaram 5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e os prêmios ganhos caíram 8%.
Ainda no radar da companhia, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3.540/2026, que agora segue para análise do Senado. A proposta reduz a alíquota da CSLL para resseguradoras locais de 15% para 9% e elimina limitações para utilização de créditos tributários acumulados. O JPMorgan calcula que, se aprovado integralmente, o projeto poderia representar um potencial adicional de 25% a 30% no valor de mercado do IRB, somando o ganho com a redução de impostos e a aceleração do aproveitamento dos créditos tributários. Na avaliação da instituição, a mudança reduziria uma importante assimetria tributária entre resseguradoras locais e concorrentes internacionais, alterando estruturalmente o ambiente competitivo do setor.
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