Como vale-tudo no STF 'sequestrou' a eleição — e quais as consequências disso
A crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), escancarada pelo caso do Banco Master, tornou pública a divisão da Corte e transbordou para a disputa eleitoral deste ano. Segundo a BBC News Brasil, o racha entre os ministros parece ter chegado a um ponto de não retorno, com decisões sendo derrubadas em sequência e o uso de caminhos de tramitação considerados heterodoxos por juristas.
Na última semana antes do primeiro turno, o vai-e-vem de decisões envolveu publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. André Mendonça mandou suspender posts nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro (PL) a um projeto para retirar o título da padroeira do Brasil. Dois dias depois, Flávio Dino determinou a liberação das publicações, mas sua decisão foi derrubada em seguida por Luiz Fux. Depois, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, decidiu pôr o assunto na pauta de julgamento do plenário virtual.
Antes disso, o cabo de guerra já havia sido em torno das investigações sobre o Banco Master, precedido pela destituição e reintegração, num intervalo de 24 horas, de Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal. Decisões judiciais do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também foram citadas pela TV Globo como motivo para cancelar o último debate antes do primeiro turno, previsto para a última quinta-feira (01/10).
Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a crise "sequestrou a agenda" eleitoral. "Toda agenda política está dependendo de novidades, de escândalos e de revelações que as coordenações de campanha não controlam, então as campanhas estão muito mais reativas do que propositivas", afirmou. Ele avalia que a indefinição é o maior impacto da crise, com possível aumento das abstenções.
O pesquisador Christian Lynch, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), aposta que a abstenção pode ser ainda maior do que em 2022, quando 32 milhões de pessoas não votaram. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 18 de setembro, 48% dos eleitores dizem não confiar no Supremo — o maior índice de desconfiança entre as instituições avaliadas, à frente do Congresso (45%), Presidência (42%), partidos políticos (45%), imprensa (33%), grandes empresas brasileiras (23%) e Forças Armadas (25%).
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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