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IA entra na duplicata escritural e promete acelerar o crédito às empresas

Atualizado em 07/09/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

O sistema de duplicata escritural, lançado pelo Banco Central em 30 de junho, ganhou uma nova camada de tecnologia menos de dois meses após o início de sua operação. Ferramentas de inteligência artificial passaram a analisar os dados gerados pelos títulos para identificar operações fora do padrão e estimar a capacidade de pagamento das empresas com mais rapidez.

A fintech Delend afirma ter treinado um modelo de IA com mais de 30 milhões de títulos emitidos por pequenas e médias empresas, equivalentes a cerca de R$ 80 bilhões em valor de face. Em testes internos, o sistema alcançou taxa de acerto de 97,7% na previsão do comportamento de pagamento, segundo a companhia. O resultado, porém, é uma métrica produzida pela própria empresa, sem validação independente pelo mercado. Além disso, como o novo ecossistema entrou em operação apenas em julho, o treinamento foi realizado principalmente com histórico de boletos, notas fiscais e outros recebíveis, e não com dados gerados dentro do próprio sistema de duplicata escritural.

Segundo Fernando Wosniak Steler, cofundador e CEO da Delend, a tecnologia busca resolver um dos principais entraves do crédito no Brasil. “Existe um gap de crédito não atendido de R$ 2,5 trilhões apenas entre pequenas empresas. Nosso modelo aprende com a linguagem transacional de duplicatas, notas fiscais, vencimentos, pagamentos e atrasos para prever esse risco e viabilizar a antecipação de crédito”, afirma. O modelo cruza informações como histórico de pagamentos, atrasos, recorrência das relações comerciais, dados de sistemas de gestão (ERP) e informações do Open Finance para estimar a probabilidade de quitação do título. A proposta ganha relevância para pequenas empresas, que muitas vezes possuem histórico bancário limitado para sustentar uma análise tradicional de crédito.

A expectativa do Banco Central é que o sistema ajude a destravar mais de R$ 11 trilhões em crédito na economia. Pesquisa da Núclea, realizada em parceria com o IBPad e a consultoria Môre, mostrou que 88% das instituições financeiras acreditam que a duplicata escritural ampliará a oferta de crédito. Para 63% dos entrevistados, o principal indicador de sucesso será a expansão do crédito disponível, enquanto 41% citaram a redução do custo das operações. Segundo Everson Menezes, CTO e COO da CERC, mais de 600 milhões de duplicatas poderão ser administradas durante a fase de obrigatoriedade. Para Edson Silva, presidente da Nexxera, a inteligência artificial pode transformar essa massa de informações em uma espécie de rating dinâmico das empresas, identificando padrões que dificilmente seriam capturados por análises convencionais.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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