Gigantes americanas estão pagando até 7% em dólar; veja como investir
As taxas pagas pelas grandes empresas americanas acompanharam a alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), com o papel de 10 anos no maior nível desde 2007. Com isso, o investidor brasileiro pode montar uma posição em renda fixa americana com bonds de empresas de primeira linha pagando taxas elevadas para os padrões americanos: acima de 5% para prazos de dez anos, ou até 7% a 8% ao ano em emissores de maior risco.
Papéis de empresas como Microsoft (MSFT34) e Amazon (AMZO34) pagam juros acima de 5,5% ao ano em dólar para dez anos, enquanto um papel da Ford (FDMO34) para 2036 oferece taxa de 7% ao ano. Bancos como JPMorgan (JPMC34) e Bank of America (BOAC34) ou gigantes de tecnologia como Nvidia (NVDC34), Apple (AAPL34) e Alphabet (GOGL34) oferecem 6% ao ano ou mais para prazos de 20 a 30 anos — os mais expostos às oscilações de preço provocadas pela variação dos juros.
Os juros corporativos estão elevados porque acompanham a taxa livre de risco dos Treasuries, à qual se soma o spread de crédito, explica Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP Investimentos. Índices americanos amplos de crédito de baixo risco (investment grade) oferecem rendimento próximo de 5,5% a 5,7%, enquanto os papéis de maior risco (high yield) estão próximos de 7,5% ao ano, estima. O prêmio em relação ao juro do Treasury está em torno de 0,8 ponto percentual ao ano no grau de investimento e próximo de 2,7 pontos no high yield. As taxas citadas foram levantadas antes da forte alta dos Treasuries na semana passada, quando o juro de 10 anos superou 5,2% ao ano.
Para gestores e analistas ouvidos pelo InfoMoney, esses títulos cumprem sobretudo a função de diversificar em moeda forte uma carteira concentrada em reais. "O investidor consegue combinar renda em dólar com taxas nominais que hoje estão relativamente elevadas para os padrões históricos americanos", diz Renata Barreto, sócia da Faz Capital. Bruno Perri, economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, vê oportunidade: "Travar taxas em dólar acima de 6%, por mais que haja risco de marcação a mercado ou duration na carteira, é sempre uma alternativa interessante". A recomendação predominante é priorizar empresas de grau de investimento, sem escolher o papel apenas pelo maior rendimento, já que retornos mais altos costumam refletir risco de crédito maior.
Há quatro caminhos principais para investir. O primeiro é comprar bonds individuais em conta no exterior, em corretora, banco ou plataforma que negocie corporate bonds, diretamente ou por meio de plataformas brasileiras com conta global; os lotes costumam ser de US$ 1.000 de valor de face, mas o mínimo prático é maior, segundo Karvelis, pois custos como o spread entre compra e venda pesam mais em lotes pequenos. O segundo são ETFs e fundos de renda fixa negociados no exterior, forma mais barata e diversificada, com destaque para os ETFs no padrão europeu UCITS, domiciliados na Irlanda, por não estarem sujeitos ao imposto sobre herança dos EUA nem à retenção na fonte americana sobre os juros. Os outros dois caminhos estão no Brasil: fundos brasileiros que investem no exterior e BDRs de ETFs de renda fixa listados na B3.
Na escolha do papel, Renata recomenda comparar o yield to maturity, o spread sobre o Treasury, o prazo, o rating e as características da emissão, evitando concentração em um único emissor ou setor. Marcelo Cabral, fundador da Stratton Capital, afirma que a análise vai além do rating: é preciso verificar geração de caixa consistente, endividamento compatível com o negócio, reservas para períodos difíceis e perspectivas favoráveis. O prazo também pesa — um título com duration de 5 anos perde cerca de 5% de valor se as taxas subirem 1 ponto percentual. Karvelis alerta ainda para o risco de spread, que hoje joga contra o investidor: "Os spreads estão perto das mínimas históricas, então há assimetria desfavorável se a economia desacelerar". Há também risco de câmbio, já que a valorização do real reduz o retorno em reais, e de liquidez, pois bonds individuais pequenos são negociados no mercado de balcão e têm spread relevante entre compra e venda.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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