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FT: Brasil, UE, Quênia e Canadá escrevem manifesto em defesa do multilateralismo

Atualizado em 20/09/2026 às 18:40 schedule 3 min de leitura visibility 45 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um manifesto conjunto em defesa do multilateralismo e de uma reforma das instituições internacionais. O documento foi publicado neste domingo, 20, pelo jornal britânico Financial Times e também leva as assinaturas do presidente do Conselho Europeu, António Costa, do presidente do Quênia, William Ruto, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. A divulgação ocorre a poucos dias do início da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

No texto, os líderes afirmam que o mundo vive um "paradoxo", por estar mais interdependente do que nunca e, ao mesmo tempo, mais fragmentado e polarizado. Como exemplo dessa contradição, citam que o comércio global alcançou US$ 35 trilhões no ano passado e que 6 bilhões de pessoas — quase três quartos da humanidade — estão conectadas à internet, enquanto a geopolítica caminha em sentido oposto.

Segundo o manifesto, 2025 registrou 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o maior número desde 1946, e os gastos militares globais subiram para US$ 2,9 trilhões. O cenário descrito é de pressão sobre o direito internacional e de retorno da "linguagem das esferas de influência e da política de poder". O documento menciona ainda o aumento da desigualdade e o uso de laços econômicos como instrumento de pressão e coerção.

Diante desse quadro, os signatários defendem que a cooperação multilateral continua sendo uma necessidade para enfrentar desafios como a emergência climática, o avanço acelerado da inteligência artificial, riscos de novas pandemias, choques financeiros e guerras capazes de desestabilizar regiões e provocar deslocamentos em massa. O texto cita também gargalos marítimos globais, como o Estreito de Ormuz, que podem paralisar cadeias de suprimentos em todo o mundo.

Como resposta, Lula, Costa, Ruto e Carney anunciaram a iniciativa "Parceiros para o Multilateralismo" (P4M, na sigla em inglês). De acordo com o manifesto, a proposta não pretende criar "outro bloco exclusivo" nem "outra burocracia internacional", mas estabelecer uma estrutura flexível e aberta para a atuação de países de diferentes regiões. O grupo afirma que o P4M apoiará reformas na ONU e em outras instituições multilaterais para torná-las mais "representativas, legítimas, eficazes e confiáveis".

No trecho final, os líderes convocam outros governantes a se juntarem à iniciativa. "À medida que lidamos com uma ordem mundial que está se transformando rapidamente, convocamos outros líderes internacionais a se juntarem a nós na escolha da cooperação em vez da fragmentação, da lei em vez do poder e da responsabilidade compartilhada em vez da divisão", afirmam.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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