Fachin retém investigação sobre o Master no STF para preservar a Corte
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu manter sob sua responsabilidade as investigações sobre o banco Master, ao mesmo tempo em que devolveu ao ministro André Mendonça o inquérito que apura fraudes em descontos do INSS. A medida foi tomada após conflitos internos entre ministros da Corte e é interpretada por especialistas como uma forma de administrar crises institucionais no tribunal.
Os dois casos têm naturezas distintas. O inquérito do INSS trata de fraudes contra aposentados e envolve figuras políticas externas ao tribunal, como o filho do presidente Lula. Já o caso Master é considerado mais sensível para a própria Corte, porque relatórios da Polícia Federal mencionam diretamente conversas e relações de proximidade entre o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, e diversos ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes. Fachin devolveu o caso do INSS por entender que não havia mais justificativa para mantê-lo na presidência, mas reteve o Master por envolver questões institucionais pendentes e riscos à imagem do Supremo.
Segundo juristas, a retenção do caso Master na presidência funciona como um freio estratégico para evitar que o relator original, André Mendonça, avance sobre investigações que podem atingir seus próprios colegas de tribunal. Ao manter os autos consigo por até 90 dias, Fachin ganha tempo para que o ambiente interno esfrie e para que o plenário decida como tratar as menções a integrantes da cúpula do Judiciário. Também se aguarda a conclusão de um relatório da Polícia Federal e o fim de um pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que deve ocorrer apenas no final de 2026.
O atrito entre Mendonça e Moraes começou quando Mendonça, durante as apurações, identificou mensagens no celular de um investigado que indicavam pedidos de orientação e intercessão junto a autoridades feitos a um número atribuído a Moraes. Em resposta, Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade e de direcionamento das investigações. Diante da crise entre dois integrantes da mesma Corte, Fachin levou os processos para a presidência em setembro de 2026. Recentemente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que não encontrou irregularidades na conduta de Mendonça, o que permitiu a devolução de parte do caso.
Ainda existe a possibilidade de Fachin redistribuir o caso Master para um novo relator, em vez de devolvê-lo a Mendonça. Essa decisão dependerá do equilíbrio de forças dentro do Supremo e dos critérios de reorganização que o presidente apresentar. Especialistas citam a influência de um grupo coeso de ministros que pode pressionar por uma solução que minimize danos à instituição. Enquanto o caso do INSS segue seu curso normal com Mendonça e depende da Polícia Federal, o Master continua sendo um tema politicamente delicado, que exige do plenário uma definição sobre como investigar seus próprios membros.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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