Fachin assume relatoria de investigação sobre suspeitas de crimes de Moraes e Vorcaro
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu a relatoria da investigação sobre suspeitas de crimes atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi tomada na noite de sábado (12) e representa mais um passo para viabilizar a sessão extraordinária da próxima terça-feira (15), que definirá se Moraes será afastado e investigado.
A movimentação ocorreu minutos depois de o ministro André Mendonça remeter a Fachin a Petição 16.662, que reúne o relatório sobre mais de 50 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. No despacho, Mendonça afirma que o material passou a envolver uma situação submetida às regras especiais aplicadas a integrantes do STF — ou seja, ele investigava o ex-banqueiro, mas se deparou com indícios contra o ministro que devem ser analisados pelo Plenário. O caso havia sido liberado para julgamento em 6 de setembro.
Moraes é suspeito de fechar contratos de fachada de mais de R$ 180 milhões para proteger Vorcaro das autoridades públicas. Ainda no sábado, Fachin determinou que a Polícia Federal preste informações, em 24 horas, sobre a custódia e o estado do conteúdo das mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Também ordenou que Mendonça remeta à Presidência da Corte os processos sobre o Banco Master e sobre as fraudes do INSS, ambos sob relatoria do ministro. O despacho não explica a razão da determinação, e não está claro se Fachin pretende apenas acompanhar os casos ou retirá-los de Mendonça.
Desde a manhã de sábado, o presidente do STF vinha preparando o terreno para a sessão. Ele rejeitou um pedido de Moraes para que a conduta de Mendonça na relatoria das investigações do Master fosse discutida no mesmo julgamento. A situação do ministro será analisada em sessão separada, no dia 23 de setembro.
O ministro Cristiano Zanin pediu que o conteúdo integral do celular fosse disponibilizado a todos os ministros, e não apenas o relatório produzido pela PF. Mendonça respondeu que mantém uma cópia completa lacrada no gabinete por segurança, sem tê-la acessado, e que possui as mesmas informações que os demais integrantes da Corte. A Petição 16.662 teve origem na Informação de Polícia Judiciária IPJ-A 3298613/2026, inicialmente vinculada à Petição 15.556, sobre o caso do Master.
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