Sul-coreanas mudam de ideia sobre ter filhos e fertilidade volta a crescer no país
A Coreia do Sul registrou dois anos consecutivos de alta em sua taxa de fertilidade, após uma década de queda. Um relatório do Ministério de Dados e Estatísticas, divulgado em agosto, apontou que 254,3 mil bebês nasceram no país em 2025, um aumento de 6,7% em relação a 2024 e o maior número registrado desde 2021.
A taxa de fertilidade — número médio de filhos que uma mulher tem ao longo da vida reprodutiva — subiu para 0,8 no ano passado. A variação de 0,72 para 0,75 entre 2023 e 2024 havia sido o primeiro crescimento do indicador desde 2015. Apesar da melhora, o índice segue muito abaixo dos 2,1 necessários para manter o tamanho da população estável sem depender da imigração.
Dados do Comitê Presidencial sobre a Sociedade em Envelhecimento e Política Populacional mostram que a proporção de mulheres sul-coreanas solteiras ou casadas sem filhos dispostas a ser mães aumentou de 23,1% para 31,1% entre 2024 e 2026. Em declarações publicadas pelo jornal The Korea Times, o vice-presidente do comitê, Kim Jin-oh, afirmou que as políticas públicas precisam ser aprofundadas para que esses números cresçam ainda mais.
“Trabalharemos na implementação de medidas políticas e institucionais, incluindo o incentivo a uma cultura mais favorável à maternidade e à parentalidade, bem como a criação de condições de trabalho que permitam aos funcionários tirar licença parental sem receio de estigma”, disse Kim. Nos últimos anos, o país adotou políticas como subsídios para habitação e cuidados infantis, auxílio financeiro a novos pais e ampliação das licenças-maternidade e paternidade.
Em entrevista à CNN em fevereiro, uma mulher de 30 anos identificada apenas pelo sobrenome Kim, então grávida, disse que o clima em torno da questão de ter filhos mudou muito em comparação com dez anos atrás. Segundo ela, as empresas passaram a oferecer benefícios obrigatórios e a mentalidade dos gestores mudou. Um estudo divulgado em agosto pelas pesquisadoras Gowoon Jung e Juyeon Park, da Universidade da Coreia e da Universidade Yonsei, concluiu que a visão e o apoio da família são tão ou mais importantes que os incentivos estatais para que a decisão de não ter filhos seja revista.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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