Excesso de escândalos faz eleitor tratar denúncias como ruído, diz cientista político
Excesso de escândalos faz eleitor tratar denúncias como ruído, diz cientista político
A sequência de investigações, denúncias e acusações que atingem tanto o governo quanto a oposição pode, em vez de ampliar o desgaste dos candidatos, fazer com que parte do eleitorado passe a tratar novos episódios como apenas mais um ruído da campanha. A avaliação é do cientista político Carlos Melo, professor do Insper, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Para Melo, a velocidade com que um caso substitui o outro reduz a capacidade de cada escândalo permanecer no centro do debate eleitoral. “Está havendo uma vulgarização, uma banalização do escândalo. O escândalo de ontem é superado pelo escândalo de hoje, que será superado pelo escândalo de amanhã”, afirmou. Segundo ele, o eleitor comum passa a enxergar os episódios como ruído, diferente de quem acompanha política com atenção.
A análise foi feita ao discutir a estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que pretende explorar o caso dos descontos indevidos do INSS e suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro lado, a campanha petista tem à disposição episódios relacionados ao Banco Master e ao próprio candidato do PL. Para Melo, esse cruzamento de vulnerabilidades reduz a possibilidade de um dos lados monopolizar a pauta da corrupção. “É um jogo de soma zero”, disse.
Na avaliação do cientista político, a disputa tende a se transformar em um esforço permanente para aumentar a rejeição do adversário, sem necessariamente gerar novos votos para quem faz o ataque. “Mais valeria, ao invés de trabalhar a rejeição do outro, diminuir a sua rejeição e ganhar eleitores. Apontando quais são os caminhos para o país. Ninguém está fazendo isso”, afirmou. Ele compara a dinâmica a uma troca constante de ataques, na qual nenhum dos lados consegue permanecer apenas na ofensiva.
A analista política da XP, Bárbara Baião, também vê limites na exploração eleitoral do tema da corrupção. Segundo ela, o governo trabalha com a percepção de que o assunto, embora desfavorável ao PT, deixou de representar uma vantagem tão clara para o bolsonarismo após os episódios envolvendo Flávio Bolsonaro. “As notícias envolvendo o Flávio, no caso Master, maculam um pouco uma bandeira que ele poderia ter mais legitimidade para carregar”, afirmou. Na avaliação dos convidados, isso não significa que novos desdobramentos sejam irrelevantes, mas o desafio para Lula e Flávio é transformar uma sucessão de acusações em vantagem eleitoral duradoura quando ambos chegam à campanha carregando suas próprias vulnerabilidades.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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