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Excesso de escândalos faz eleitor tratar denúncias como ruído, diz cientista político

Atualizado em 21/08/2026 às 07:05 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)
Excesso de escândalos faz eleitor tratar denúncias como ruído, diz cientista político

Excesso de escândalos faz eleitor tratar denúncias como ruído, diz cientista político

A sequência de investigações, denúncias e acusações que atingem tanto o governo quanto a oposição pode, em vez de ampliar o desgaste dos candidatos, fazer com que parte do eleitorado passe a tratar novos episódios como apenas mais um ruído da campanha. A avaliação é do cientista político Carlos Melo, professor do Insper, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Para Melo, a velocidade com que um caso substitui o outro reduz a capacidade de cada escândalo permanecer no centro do debate eleitoral. “Está havendo uma vulgarização, uma banalização do escândalo. O escândalo de ontem é superado pelo escândalo de hoje, que será superado pelo escândalo de amanhã”, afirmou. Segundo ele, o eleitor comum passa a enxergar os episódios como ruído, diferente de quem acompanha política com atenção.

A análise foi feita ao discutir a estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que pretende explorar o caso dos descontos indevidos do INSS e suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro lado, a campanha petista tem à disposição episódios relacionados ao Banco Master e ao próprio candidato do PL. Para Melo, esse cruzamento de vulnerabilidades reduz a possibilidade de um dos lados monopolizar a pauta da corrupção. “É um jogo de soma zero”, disse.

Na avaliação do cientista político, a disputa tende a se transformar em um esforço permanente para aumentar a rejeição do adversário, sem necessariamente gerar novos votos para quem faz o ataque. “Mais valeria, ao invés de trabalhar a rejeição do outro, diminuir a sua rejeição e ganhar eleitores. Apontando quais são os caminhos para o país. Ninguém está fazendo isso”, afirmou. Ele compara a dinâmica a uma troca constante de ataques, na qual nenhum dos lados consegue permanecer apenas na ofensiva.

A analista política da XP, Bárbara Baião, também vê limites na exploração eleitoral do tema da corrupção. Segundo ela, o governo trabalha com a percepção de que o assunto, embora desfavorável ao PT, deixou de representar uma vantagem tão clara para o bolsonarismo após os episódios envolvendo Flávio Bolsonaro. “As notícias envolvendo o Flávio, no caso Master, maculam um pouco uma bandeira que ele poderia ter mais legitimidade para carregar”, afirmou. Na avaliação dos convidados, isso não significa que novos desdobramentos sejam irrelevantes, mas o desafio para Lula e Flávio é transformar uma sucessão de acusações em vantagem eleitoral duradoura quando ambos chegam à campanha carregando suas próprias vulnerabilidades.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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