A nova rotina de Warren Buffett: YouTube, bridge e reality shows do Uzbequistão
Warren Buffett, de 96 anos, deixou no mês passado a presidência do conselho de administração da Berkshire Hathaway e entrou oficialmente na aposentadoria. A rotina, no entanto, está longe do descanso convencional: segundo relatos de pessoas próximas, suas noites costumam ser passadas em frente à televisão, assistindo a vídeos no YouTube.
“Os interesses de Warren são muito variados”, disse Sharon Osberg, uma das amigas mais próximas do investidor, que costuma visitá-lo para assistir a vídeos junto com ele. “Podem ser as coisas mais bobas.” Os gostos de Buffett, porém, são ecléticos: vão de vídeos com a atriz Glenn Close a um documentário sobre o advogado Roy Cohn, passando por comerciais dos anos 1950 e pela versão do Uzbequistão do programa America’s Got Talent.
O hábito de navegar pelo YouTube chama atenção porque Buffett é conhecido por sua resistência em adotar novas tecnologias. Apesar de ter sido um antigo investidor da Apple, ele só trocou o celular de flip por um iPhone quando já estava perto dos 90 anos. A fortuna do investidor é estimada em US$ 143 bilhões.
Buffett passou o comando executivo da Berkshire para Greg Abel em janeiro e a presidência do conselho para seu filho, Howard, em setembro. Mesmo quando ainda comandava o conglomerado, suas noites eram em grande parte dedicadas a interesses próprios. Ler livros e jornais sempre esteve entre seus passatempos favoritos — em determinado momento, ele afirmou que chegava a passar 80% do dia de trabalho lendo. “Leiam 500 páginas assim todos os dias”, disse. “É assim que o conhecimento funciona. Ele vai se acumulando, como os juros compostos.”
Outro passatempo recorrente é o bridge. Buffett chegou a jogar até oito horas por semana, inclusive com o amigo de longa data Bill Gates. Em entrevista de 2017, afirmou jogar pelo menos quatro partidas por semana, cerca de duas horas por partida. Segundo ele, o jogo o mantinha intelectualmente ativo. “Você pode jogar uma mão a cada seis ou sete minutos, todos os dias pelo resto da vida, e nunca verá a mesma mão”, disse. “É um jogo que você pode aproveitar quando estiver na casa dos 90 anos e, a cada sete minutos, estará diante de um desafio intelectual diferente.”
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