Eles têm quatro patas e paladares exigentes — e testam comida para pets
Em um centro de pesquisas da Royal Canin em Aimargues, no sul da França, dezenas de gatos circulam por um espaço que lembra uma creche para animais de estimação. Todos os dias, às 16h, é hora do jantar. Os gatos entram em pequenos compartimentos, cada um com duas bandejas de ração sobre balanças. Eles escolhem qual alimento preferem, enquanto as balanças medem quanto consomem.
Nutricionistas observam qual ração os animais preferem e com que entusiasmo comem. A equipe usa os dados para ajustar receitas e desenvolver novas fórmulas. A Royal Canin é controlada pela Mars, conglomerado global de bens de consumo que também fabrica marcas como Snickers, M&M’s e Skittles, e entrou no mercado de alimentos para pets há quase um século.
Fabricantes do setor investem pesado em pesquisas para entender o paladar de gatos e cães e atender pessoas que consideram seus animais membros da família. Mesmo com a inflação elevando os preços das rações convencionais, o mercado continua crescendo. Segundo a NielsenIQ, mais de US$ 17 bilhões foram gastos com ração para gatos nos Estados Unidos no último ano, alta de 14% em relação ao mesmo período de dois anos atrás. As vendas de ração para cães ficaram praticamente estáveis.
À medida que os animais adotados em massa durante a pandemia, em 2020, entram na meia-idade, as empresas concentram esforços em alimentos para aliviar dores nas articulações, fortalecer músculos cansados e proteger a função cognitiva. “O envelhecimento é uma das maiores oportunidades”, disse Cécile Coutens, presidente da Royal Canin. A linha para gatos idosos inclui uma mousse extramacia para gatos a partir de 11 anos e ração de fácil mastigação para gatos com 15 anos ou mais.
No centro de Aimargues, apenas os animais mais exigentes entre os 377 cães e gatos que vivem no local participam dos testes de sabor. Cães que comem praticamente qualquer coisa, como os labradores, não são selecionados, segundo Silvia Miret-Catalan, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Royal Canin. A equipe também monitora o comportamento dos animais após as refeições e analisa as fezes para determinar como o alimento é digerido. Quando completam 7 anos, os animais podem ser adotados pelos funcionários, e há uma longa lista de espera.
O sabor é um dos principais focos. Scott McGrane, especialista em felinos do Waltham Petcare Science Institute, da Mars, na Inglaterra, disse que os pesquisadores descobriram que os gatos possuem o receptor de sabor umami. O atum teria uma combinação única de compostos associados a esse gosto, algo equivalente a um “superumami”. Com o envelhecimento, alguns receptores gustativos desaparecem, mas os gatos mantêm a capacidade de perceber o amargor, o que torna certos alimentos menos atraentes. A equipe de Miret-Catalan desenvolve alimentos para gatos idosos que mascaram o sabor amargo e realçam aromas mais atraentes.
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