Escritório de esposa de Moraes assinou contrato milionário com o Banco Master
O levantamento parcial do sigilo do caso Master revelou que o Banco Master e a Viking Participações firmaram contratos de honorários com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Os acordos, assinados entre 2024 e 2025, previam pagamentos que somavam até R$ 181,3 milhões.
Segundo o material divulgado, os serviços contratados iam além da defesa em processos comuns. O escritório Barci de Moraes foi escalado para criar e acompanhar um programa de compliance — conjunto de regras internas para garantir que a empresa siga as leis e evite fraudes ou corrupção. O documento também previa consultoria estratégica em inquéritos policiais e administrativos, com atuação direta junto a órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal e o Cade, que fiscaliza a livre concorrência e o poder econômico.
A análise técnica da Polícia Federal em arquivos digitais encontrou o nome "Ministro Alexandre de Moraes" nos metadados de uma versão da minuta do contrato, o que indica que o usuário identificado com esse nome editou o documento antes da assinatura final. O escritório explicou que o ministro foi consultado apenas para verificar se haveria impedimentos legais na contratação, já que sua esposa é a dona da banca. Segundo a defesa do escritório, não existiam restrições, pois Moraes nunca julgou causas ligadas ao banco. O registro mostra a participação na edição, mas não define exatamente o que foi alterado.
Atualmente, o ministro Alexandre de Moraes não é alvo de investigação formal no caso que envolve o Banco Master. Embora seu nome tenha surgido em mensagens e documentos analisados pela Polícia Federal, ele não consta como investigado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, criticou o relatório da PF, afirmando que o ministro André Mendonça teria excedido suas funções ao coletar dados que poderiam comprometer um colega de tribunal. A divulgação dessas informações faz parte da quebra de sigilo do processo principal, mas não representa a abertura de um inquérito contra Moraes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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