Enem: cursinhos populares preparam alunos em vulnerabilidade social
O cursinho comunitário Jovem de Expressão (JEX), na Ceilândia, no Distrito Federal, atua há 17 anos na preparação gratuita de estudantes para o Enem, para o Programa de Avaliação Seriada (Pas) da Universidade de Brasília (UnB) e para outros vestibulares. A unidade integra a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), que reúne 1.535 cursinhos populares e atende mais de 58 mil estudantes que cursaram a educação básica na rede pública, com prioridade para pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e de famílias de baixa renda.
Entre os alunos está Raimundo dos Santos Nascimento, de 62 anos, um dos 13.821 candidatos do Enem 2026 com mais de 60 anos. Carioca, viveu cerca de seis anos em situação de rua no Plano Piloto, em Brasília, e retomou os estudos no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e na Escola de Meninos e Meninas do Parque (EMMP), onde concluiu o ensino fundamental. Agora, busca uma vaga em psicologia na UnB. "Em 2020, eu fiz a prova do Enem e tirei 640 na redação. Então, eu conheci o Jovem de Expressão e decidi fazer o preparatório", conta.
A diarista Márcia Regina Carvalho Damasceno Dias havia parado de estudar há 20 anos e voltou por incentivo da filha, que já está na faculdade. Mesmo com a dupla jornada de segunda a sábado, ela mantém o objetivo de cursar nutrição. Na mesma sala, a caixa de supermercado Gilmara Pereira Braga, de 47 anos, que concluiu o ensino médio em 2000, diz ter superado o medo da matemática e pretende se capacitar para trabalhar com educação especial. Já o produtor musical e DJ Miguel Lacerda, de 20 anos, aluno há dois anos, destaca o acesso proporcionado pelo cursinho. "Como uma pessoa periférica, eu não teria tantas possibilidades econômicas de acessar outros cursinhos", afirma.
A CPOP fornece apoio financeiro de até R$ 163,2 mil por unidade selecionada, destinado ao pagamento de professores, coordenadores e apoio técnico-administrativo e à compra de materiais. O coordenador pedagógico do projeto na Ceilândia, Rodrigo da Silva Soares, afirma que o recurso fortalece a continuidade do trabalho e ajuda a custear passagens, lanches e saídas de campo. A rede envolve mais de 21 mil educadores e equipe de apoio pedagógico em todo o país. O apoio inclui ainda auxílio-permanência de R$ 200 mensais por seis meses a cada estudante matriculado nos cursinhos comunitários.
Esta matéria foi publicada primeiro em Educação · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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