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Eles se uniram para denunciar abusos em uma escola — e depois se casaram

Atualizado em 20/09/2026 às 21:20 schedule 3 min de leitura visibility 43 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Dois ex-alunos de um internato islâmico na ilha indonésia de Lombok se uniram para reunir provas contra o antigo diretor da escola, acusado de agressão sexual, e acabaram se casando depois de anos de investigação e pressão. A história foi apurada pela BBC Eye Investigations.

Yusron Azzahidi e Ziadatur Rahmah, conhecida como Zia, foram alunos exemplares da escola Abu Barokat. Já na universidade — ele em Jacarta, ela no Cairo —, passaram a relembrar os dias de escola por telefone. Numa dessas conversas, Zia contou que o diretor Ahmad Imanuddin Sumar, chamado pelos alunos de "Abah" ("pai"), a agrediu sexualmente quando ela tinha 16 anos. Segundo seu relato, ele a levou até a casa dentro do terreno da escola, disse que a amava e a beijou e tocou seu corpo. Ela só conseguiu fugir quando uma das crianças dele bateu na porta.

A partir da revelação, Yusron passou a coordenar a coleta de depoimentos de outros ex-colegas, mantendo anotações minuciosas e reunindo relatos pelo WhatsApp com a ajuda das amigas de Zia, Wanda Hamidah e Mahima Eka. Um dos testemunhos mais significativos veio de Sukma Rohana, que ainda estudava na escola. Ela contou à BBC que, aos 17 anos, foi chamada por Abah para orações de Ano-Novo e, dentro da casa dele, foi agarrada e teve a roupa retirada da cintura para baixo. Ela disse que conseguiu chutá-lo no estômago e fugir, vendo a lanterna dele procurá-la enquanto corria.

Yusron digitou um documento de sete páginas descrevendo os supostos abusos de Sukma, Zia e outros quatro ex-alunos. Wanda organizou uma reunião com representantes da Nahdlatul Wathan Diniyah Islamiyah (NWDI), organização que administrava a escola e centenas de outras. Segundo os amigos, os representantes prometeram ajuda para levar o caso à polícia. Três semanas depois, porém, Abah ligou para Yusron da casa de sua família. Ele pedia que o aluno encobrisse o caso e oferecia versões para retirar o documento de evidências. Yusron gravou a ligação. Abah também pressionou Zia por telefone, admitindo o abuso e pedindo silêncio — ela igualmente gravou.

Sukma relatou ter sido chamada à casa de Abah, onde encontrou dois policiais e um advogado da NWDI, que a forçaram a assinar um documento dizendo que suas alegações eram mentiras. Uma gravação que ela fez depois, ao confrontar a esposa de Abah, Hurmiati, registra a mulher pedindo que respeitasse o "acordo" e questionando se ela queria que o caso a assombrasse ou prejudicasse suas chances de se casar. A pressão chegou a levar os pais de Yusron a viajar a Jacarta para procurá-lo na universidade. Diante do desgaste da mãe, ele interrompeu a investigação. Oito meses depois, inspirado por um grupo que conscientizava sobre abuso em escolas islâmicas, ele retomou a apuração, e Zia fez uma publicação no Instagram convidando vítimas a denunciar. Uma pessoa que estudou na mesma escola entrou em contato afirmando ter sido abusada por Abah quase um ano depois das promessas que ele fizera de mudar.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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