Eleições nos EUA ganham novo campo de batalha: os data centers
Data centers viram alvo de ataques nas eleições de meio de mandato nos EUA
A disputa em torno dos data centers se tornou um dos temas centrais das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. No Texas, um anúncio de campanha mostra um eleitor perguntando a um chatbot por que a conta de luz aumentou, enquanto em Ohio uma propaganda culpa um senador republicano pela proliferação das instalações, classificando-as como “uma fraude total”. Em distritos decisivos para a Câmara em Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, candidatos democratas também passaram a criticar os centros de servidores que sustentam o boom da inteligência artificial.
Estrategistas dos dois partidos afirmam que o tema avançou com rapidez incomum e já influencia disputas para a Câmara, o Senado e governos estaduais. “Trata-se de um movimento genuíno, que vem de baixo para cima”, disse Anna Greenberg, pesquisadora de opinião ligada ao Partido Democrata. Segundo ela, os data centers se tornaram símbolos dos excessos do Vale do Silício. “Bilionários estão construindo essas instalações, e isso alimenta todo o ceticismo já existente em relação às grandes empresas de tecnologia”, afirmou.
Os democratas têm liderado os ataques, explorando o descontentamento com o aumento das tarifas de energia, o consumo de água e a desconfiança em relação às big techs. Nas últimas semanas, porém, um número crescente de republicanos também passou a se distanciar do setor, apesar do apoio do presidente Donald Trump à indústria de IA. Na semana passada, Mike Rogers, candidato republicano ao Senado em Michigan, defendeu uma moratória de um ano na construção de novos data centers. Um memorando do Comitê Nacional Republicano para o Senado alertou que o tema estaria prejudicando a campanha do senador Jon Husted, de Ohio, cujo adversário, o ex-senador Sherrod Brown, investiu milhões em anúncios que o retratam como “o rosto dos data centers em Ohio”.
Pesquisadores afirmam que os eleitores associam os data centers ao aumento das contas de energia, ao consumo de água e à ocupação de áreas agrícolas. No Texas, o governador Greg Abbott, que há menos de um ano comemorava um investimento de US$ 40 bilhões do Google, anunciou novas exigências para o consumo de água e energia pelos data centers, defendeu o fim de alguns incentivos fiscais e determinou auditorias prévias para novos projetos. “O crescimento dos data centers não pode ocorrer às custas do sustento dos texanos”, afirmou Catherine Frazier, porta-voz do governador.
Em Michigan, o ativista William Lawrence venceu a prévia democrata para a Câmara com plataforma contrária aos data centers e lançou ataques contra o republicano Tom Barrett, que reagiu afirmando ter votado contra incentivos fiscais para o setor. Lawrence defende uma moratória e diz que a oposição une eleitores de diferentes perfis. “Todos estão se aproximando porque nenhum de nós confia que as big techs farão o que é melhor para nossas comunidades”, afirmou.
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