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Eleição na Alemanha: como direita radical planeja mudar o país após provável vitória na Saxônia

Atualizado em 06/09/2026 às 21:35 schedule 3 min de leitura visibility 10 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (06/09) indicam que o partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) caminha para uma grande vitória na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste do país. A sigla deve conquistar entre 44% e 44,5% dos votos, contra 18,5% da União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita. Caso a maioria absoluta seja confirmada, será a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido de direita radical assume o poder em nível estadual na Alemanha.

O AfD saudou o resultado como uma "consequência histórica" e afirma ter recebido um mandato para governar, embora ainda não esteja claro se a votação será suficiente para governar sem coligações. Os demais partidos mantêm um pacto conhecido como "muralha de proteção" e se recusam a formar aliança com a sigla. A concretização de uma maioria parlamentar, portanto, depende também do desempenho de outras legendas menores, que precisam superar a cláusula de barreira de 5% para garantir assentos no parlamento regional.

O partido, que lidera as pesquisas em todo o país, apresenta um programa controverso para o estado. Entre as propostas estão a segregação de crianças refugiadas em classes especiais, a proibição de bandeiras do arco-íris LGBT nas escolas e a criação de uma força-tarefa para deter e deportar migrantes sem direito de permanência. O manifesto também defende que as crianças aprendam menos sobre o período nazista e mais sobre os "aspectos positivos" da história alemã.

A sigla, fundada em 2013 com uma agenda contrária à União Europeia, é oficialmente classificada como extremista de direita na Saxônia-Anhalt e em outros estados, segundo órgãos de inteligência interna, que apontam uma "ideologia racista" na filial local. O partido rejeita as designações. O principal candidato no estado, Ulrich Siegmund, de 35 anos, não descarta extinguir o serviço de inteligência interna (BfV) caso conquiste o governo. A posição pró-Rússia do partido também gera alertas de fontes de segurança sobre campanhas de desinformação apoiadas por Moscou contra rivais do AfD.

O resultado representa um novo desafio para o chanceler Friedrich Merz, da CDU, que enfrenta dificuldades e dúvidas sobre a conclusão de seu mandato. Vaiado em aparições públicas recentes, Merz dificilmente é visto como um trunfo eleitoral. A eleição na Saxônia-Anhalt, um estado relativamente pequeno em população, é considerada um teste para a força da direita radical no cenário nacional e um possível trampolim para o partido alcançar o poder em todo o país.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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