Doces ou travessuras? Gasolina mais cara afeta até Halloween nos EUA, diz Hershey
Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da Hershey, realizada na quinta-feira, executivos relataram queda de 5% nas vendas de doces em lojas de conveniência em setembro, considerando toda a categoria. A fraqueza persistiu em outubro, pressionada pelos altos preços dos combustíveis e pela inflação que corrói o orçamento das famílias.
O diretor financeiro Dave Hulays afirmou que os consumidores estão “mais cautelosos em relação à inflação”, citando a gasolina e as taxas de juros como fontes de aperto. Segundo ele, as pessoas fazem escolhas mais deliberadas entre canais de compra e migram parte dos gastos para grandes varejistas, comércio eletrônico e clubes de atacado. Fora das lojas de conveniência, a categoria de doces cresceu 3,7% no trimestre. Hulays classificou a retração como um problema de canal e de frequência de compra, não da categoria em si.
Os números da companhia refletem esse cenário. As vendas líquidas subiram 3%, para cerca de US$ 3,28 bilhões, mas o avanço veio de aumentos de preços equivalentes a aproximadamente 11 pontos percentuais, enquanto o volume vendido recuou cerca de 10 pontos. A empresa reduziu a projeção de crescimento orgânico das vendas líquidas para o ano para cerca de 3%, no piso da faixa anterior, que ia de 3% a 3,5%.
A retração não é exclusiva da Hershey. Segundo dados da NielsenIQ citados pela Associated Press, as vendas de doces para o Halloween caíram 6,7% no período encerrado em 17 de outubro, na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Apenas os pacotes menores seguiam em crescimento. No mesmo período, o preço médio da gasolina nos Estados Unidos atingiu US$ 4,29 por galão, quase 40% acima do valor de um ano antes.
Ainda assim, os americanos não abandonaram a data. A National Retail Federation projeta recorde de US$ 13,5 bilhões em gastos com Halloween neste ano, acima dos US$ 13,1 bilhões de 2025. Desse total, US$ 4,1 bilhões devem ir para doces, item que 96% dos consumidores dizem pretender comprar, embora a entidade destaque maior atenção ao custo-benefício. O CEO Kirk Tanner afirmou que cerca de 35% das vendas sazonais ocorrem na última semana antes do Halloween e que a empresa enviou mais produtos às lojas do que no ano passado. “Agora precisamos que os consumidores apareçam”, disse.
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