Oposição israelense acusa Netanyahu de tentar 'deslegitimar' as eleições com acusações de interferência estrangeira
O líder da oposição israelense, Gadi Eisenkot, e líderes de partidos árabes denunciaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por alegar interferência estrangeira na eleição que retirou da coalizão governista a maioria no Parlamento. O partido Likud, de Netanyahu, acusou as legendas lideradas por árabes de "roubarem" o pleito, e o Shin Bet, agência de segurança interna, investiga se elas receberam financiamento ilegal do Catar e da Turquia.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar negou as alegações, classificando-as como "ridículas e perigosas", e acusou políticos israelenses de conduzir uma campanha de desinformação contra Doha. A Lista Conjunta, de maioria árabe, afirmou que a acusação é infundada. Os resultados finais confirmaram que nem o bloco de Netanyahu nem a oposição conquistaram maioria no Knesset, o parlamento de 120 membros.
As duas listas árabes — a Lista Conjunta e o Ra'am — superaram as expectativas e conquistaram um número recorde de 19 cadeiras, após aumento significativo da participação dos eleitores árabes. O bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras e o de Eisenkot, com 48, o que coloca os partidos árabes como potenciais fiel da balança.
Na quinta-feira (29/10), o Likud alegou que eleitores foram "subornados" a votar em partidos árabes, depois que o chefe do Comitê Central de Eleições pediu ao Shin Bet que apurasse "sérias suspeitas" de interferência estrangeira. O Shin Bet esclareceu posteriormente que a investigação não envolvia toda uma comunidade que votou legalmente, e o diretor-geral interino da comissão, Dean Livne, afirmou que "não havia fundamento para alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral".
Eisenkot, informado sobre a apuração, disse que "é muito cedo para determinar o que aconteceu, ou se algo aconteceu", e acusou Netanyahu de conduzir "uma campanha orquestrada e organizada para deslegitimar os resultados das eleições". Sami Abu Shehadeh, presidente do Balad, que integra a Lista Conjunta, rejeitou a alegação: "O lado perdedor está construindo uma calúnia racista e incitando as agências de segurança a usar a força para anular os resultados da eleição." Críticos de Netanyahu veem a disputa como tentativa de tornar politicamente impossível uma aliança de Eisenkot com os partidos árabes — atualmente a única via de seu bloco ao poder.
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