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Dilma Rousseff negocia volta de financiamentos do Banco dos Brics para a Rússia

Atualizado em 21/09/2026 às 14:35 schedule 3 min de leitura visibility 46 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A ex-presidente Dilma Rousseff, atual chefe do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics, anunciou que a instituição encontrou um caminho para retomar operações financeiras com a Rússia. O anúncio ocorreu após reunião com Vladimir Putin no dia 11 de setembro. Segundo Dilma, a medida busca corrigir o que ela classificou como injustiça contra o país, que teve projetos suspensos por causa da guerra na Ucrânia.

A estratégia principal envolve o uso de moedas locais, como o yuan chinês ou o rublo russo, em vez do dólar americano. Quando o banco realiza uma operação em moeda nacional, o dinheiro circula por canais que não dependem do sistema financeiro dos Estados Unidos. Isso é considerado crucial porque boa parte do poder das sanções ocidentais vem da capacidade de Washington de bloquear transações feitas em dólares ou que passam por bancos americanos. Ao evitar essas rotas tradicionais, a instituição tenta reduzir os riscos de represálias e garantir que os recursos cheguem aos projetos russos com mais segurança jurídica e integridade financeira.

Desde que assumiu o comando do banco em 2023, Dilma intensificou a busca por independência dos centros financeiros tradicionais da Europa e dos Estados Unidos. Sob sua gestão, quase 46% dos financiamentos aprovados em 2025 já foram realizados em moedas dos países membros, um recorde para a entidade. A ex-presidente defende a diversificação de fontes de recursos para reduzir a vulnerabilidade do bloco. Ela também contou com o apoio de Putin para permanecer no cargo por mais cinco anos, após a Rússia abrir mão de indicar um nome próprio pelo sistema de rodízio, priorizando a continuidade do trabalho da brasileira na presidência.

A situação, no entanto, é delicada, porque o banco ainda depende dos mercados internacionais para captar parte do dinheiro que empresta. A instituição emite títulos de dívida em bolsas como as de Londres e Dubai para atrair investidores globais. Caso o governo dos Estados Unidos interprete que os novos financiamentos para a Rússia servem para burlar restrições impostas a Moscou, o Tesouro americano pode aplicar punições que dificultariam o acesso do banco ao capital estrangeiro. No passado, o risco de vínculos com a Rússia já levou agências de classificação de risco, como a Fitch, a rebaixar a nota de crédito do banco, o que torna os empréstimos mais caros para todos.

Além de aproximar a Rússia, Dilma lidera negociações técnicas para que o Irã se torne membro e tenha acesso às linhas de crédito do banco. Em reuniões recentes com autoridades iranianas, ela destacou a importância do país para ampliar a cooperação regional da instituição. Assim como a Rússia, o Irã vive sob pesadas sanções econômicas e vê no Banco dos Brics uma alternativa para realizar transações internacionais fora da esfera de influência do dólar. A adesão iraniana seguiria a mesma lógica de integração de sistemas de pagamentos e uso de moedas nacionais defendida pelo bloco para fortalecer economias emergentes.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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