De lenhador a sindicalista: quem são democratas que tentam retomar Senado nos EUA
O Partido Democrata aposta em nomes distantes da cúpula partidária para tentar recuperar o controle do Senado dos Estados Unidos na eleição de terça-feira (3), hoje dominado pelos republicanos. Entre os candidatos estão um lenhador do norte do Maine, um seminarista presbiteriano do Texas e uma deputada estadual ligada aos Socialistas Democráticos da América. As campanhas concentram-se em temas como custo de vida e desigualdade econômica.
No Maine, Troy Jackson, de 58 anos, tenta converter sua trajetória como lenhador de quinta geração e ex-presidente do Senado estadual em trunfo eleitoral. Aliado de Bernie Sanders e integrante de sua campanha presidencial de 2016, ele assumiu a candidatura após a saída de Graham Platner, que abandonou a disputa depois de ser acusado de agressão sexual — acusação que nega. Jackson defende o Medicare for All, sistema público universal de saúde, além do aumento de impostos para bilionários e grandes empresas. Pesquisa Marist divulgada em 25 de outubro mostrava o democrata com 49% das intenções de voto, contra 47% da senadora republicana Susan Collins.
No Texas, James Talarico, de 37 anos, ex-professor e aspirante a pastor presbiteriano, tenta encerrar um jejum de quase quatro décadas sem um senador democrata eleito pelo estado. Após derrotar a deputada Jasmine Crockett na primária, ele enfrenta o republicano Ken Paxton, de 63 anos, que sobreviveu politicamente a anos de controvérsias com o apoio de Donald Trump. Levantamento do New York Times/Siena indica vantagem de Talarico, com 51% das intenções de voto, ante 45% do adversário.
Na Flórida, a deputada estadual Angie Nixon, de Jacksonville e organizadora sindical, tornou-se a primeira integrante dos Socialistas Democráticos da América a conquistar a indicação democrata para uma disputa ao Senado. Ela surpreendeu ao derrotar nas prévias o tenente-coronel reformado Alexander Vindman, que arrecadou mais de 17 vezes o valor obtido por ela para a campanha. A republicana Ashley Moody, nomeada para ocupar a vaga deixada por Marco Rubio, tem buscado vinculá-la a posições radicais e a classifica como comunista, definição rejeitada pela democrata. Às vésperas da eleição, Moody mantinha vantagem de cerca de quatro pontos percentuais nas pesquisas.
Para James Green, historiador da Universidade Brown e diretor do Washington Brazil Office, a disputa na Flórida servirá como termômetro da capacidade de candidatos mais à esquerda conquistarem espaço em estados onde os republicanos seguem dominantes. "A grande questão é se essas pessoas, que têm um programa um pouco mais à esquerda dentro do Partido Democrata, conseguem realmente ser eleitas em estados onde ainda existe uma influência muito forte do Partido Republicano", afirmou. Nem todos os estados competitivos apostaram em perfis mais ideológicos: em disputas estratégicas, os democratas lançaram nomes mais conhecidos, como o ex-governador Roy Cooper, na Carolina do Norte, o ex-senador Sherrod Brown, em Ohio, e a ex-deputada Mary Peltola, no Alasca. Em Michigan, a vitória de Abdul El-Sayed sobre a deputada Hallie Stevens na primária reacendeu o debate interno sobre o rumo da legenda. Segundo Green, os resultados de terça-feira terão impacto direto na definição da estratégia para a eleição presidencial seguinte.
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