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Controle cambial no Brasil? Gestores veem risco baixo, mas compram proteção

Atualizado em 01/10/2026 às 08:05 schedule 4 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Grandes gestoras de recursos no Brasil têm adotado estratégias de proteção contra um eventual controle cambial no país nos próximos anos, ainda que avaliem o cenário como de baixa probabilidade. A informação é de gestores ouvidos em evento do setor.

O fundo Verde, um dos maiores multimercados do país, está comprando proteções para o caso de o próximo governo adotar medidas que limitem ou encareçam a remessa de recursos ao exterior. Segundo o gestor Luís Stuhlberger, o fundo tem trabalhado com a chamada operação "dólar on-off", que consiste em comprar dólar no exterior e vender dólar futuro no Brasil. "Se ocorrer uma crise e a gente for para um caminho de o governo querer baixar o juro na marra, ficar desesperado, as remessas devem aumentar e aí o governo vai te impedir de comprar dólar, o chamado risco de convertibilidade", explicou.

Outra grande gestora, que pediu para não ser identificada, também vem adotando estratégias para se precaver contra uma eventual limitação das remessas ao exterior. Como referência, cita o caso da Argentina, que por vários anos limitou a compra de moeda americana a US$ 200 mensais, no chamado "cepo cambiário". "Representantes do próprio PT já afirmaram que consideram o controle de capitais como uma ferramenta legítima de política econômica", diz um gestor da casa. Essa gestora comprou títulos no exterior e está vendida em dólar no Brasil, apostando que a moeda americana dispararia no mercado local e elevaria o cupom cambial.

Os gestores afirmam que essa situação só ocorreria no caso extremo de o governo manter um déficit fiscal elevado, o que faria a dívida pública explodir e levaria à chamada dominância fiscal, cenário em que a inflação dispara mesmo com o Banco Central elevando os juros. Nesse contexto, investidores e empresas tenderiam a mandar recursos para o exterior, e o governo tentaria conter esse movimento com impostos ou até com a limitação de remessas. Stuhlberger acredita, porém, que a primeira medida em caso de crise cambial não seria a proibição de remessas, mas a cobrança de IOF sobre os envios. "Você tem de considerar que em algum momento você pode ter de pagar 10%, 15% de taxa para poder comprar dólar", disse. "Se tiver algo minimamente parecido com a Argentina, de proibição, essa proteção custa cerca de 0,1% ao ano e pode valer 10%, 15%, 20%", acrescentou.

Para Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, as contas externas são o ponto forte do país hoje, enquanto o fiscal é o mais frágil. Segundo ele, com a alta do petróleo, a balança comercial brasileira deve registrar superávit de US$ 90 bilhões neste ano, enquanto o investimento estrangeiro direto segue forte, principalmente o vindo da China. "O investimento direto hoje está em cerca de 3% do PIB, e cobre com folga o déficit externo do país, de 2% do PIB", observa. Menezes afirma que a Armor não tem hoje proteção para um cenário de controle cambial, mas que, se fosse montar essa proteção, provavelmente o faria tomando recursos com juros longos prefixados, por acreditar que esse seria o mercado mais frágil. Na visão dele, um cenário de controle cambial teria de ser precedido por uma corrida bancária, com busca por dólar e venda de ativos financeiros, especialmente títulos públicos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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