Canal criado por Janones para apoiar Lula e que Kassio Nunes mandou derrubar tem 3 vezes mais seguidores que o que Nikolas criou para Flávio
O canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para apoiar a reeleição de Lula (PT) reunia aproximadamente 3,4 milhões de seguidores, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles. O espaço organizado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em apoio a Flávio Bolsonaro registrava cerca de 1,3 milhão. A diferença é de aproximadamente 2,1 milhões de seguidores — o canal de Janones tinha cerca de 2,6 vezes o público do criado por Nikolas.
Chamado de Exército do Lula, o canal cresceu rapidamente: passou de cerca de 50 mil para mais de 3 milhões de seguidores depois do primeiro turno, conforme reportagem da Folha de S.Paulo. O espaço era usado para compartilhar vídeos, mensagens, orientações de divulgação e conteúdos ligados à campanha presidencial. Já a Tropa do Flávio, criada por Nikolas, mobilizava apoiadores do candidato do PL.
A comparação ganhou repercussão neste domingo (11), depois que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou que o WhatsApp suspendesse o funcionamento do Exército do Lula. A decisão atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou que o canal disseminava informações falsas e coordenava a divulgação de conteúdos considerados irregulares pela Justiça Eleitoral. A campanha também sustentou que Janones incentivava o compartilhamento em massa de publicações já objeto de decisões judiciais.
Ao analisar o pedido, Nunes Marques apontou indícios de divulgação reiterada de conteúdos considerados ilícitos e de possível descumprimento das regras eleitorais. O ministro determinou que a plataforma impedisse novas publicações e a entrada de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno, e solicitou informações sobre o funcionamento do canal, as mensagens divulgadas e as medidas de moderação adotadas pela empresa. As alegações da campanha de Flávio são acusações submetidas à análise judicial, e a suspensão não equivale a conclusão definitiva de que todas as atividades do canal sejam irregulares.
Janones reagiu publicamente e classificou a suspensão como tentativa de silenciar a mobilização digital favorável a Lula, afirmando que a medida não impediria a continuidade da atuação política de seus apoiadores. Integrantes da campanha petista criticaram a proporcionalidade de suspender integralmente um canal acompanhado por milhões de pessoas, defendendo que eventuais irregularidades em publicações específicas fossem examinadas individualmente. A campanha de Flávio, por sua vez, sustenta que a suspensão é necessária para impedir a continuidade de práticas contrárias às regras eleitorais. O episódio reacendeu o debate sobre os limites das restrições judiciais a canais de comunicação política, envolvendo o combate à desinformação e a proteção da liberdade de expressão.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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