Brasileiro quer IA nas finanças, mas não abre mão da decisão final, mostra estudo
O brasileiro já usa inteligência artificial (IA) para organizar as finanças, antecipar necessidades e automatizar tarefas, mas não quer abrir mão da palavra final sobre o próprio dinheiro. É o que aponta o estudo “A Interface Invisível”, da consultoria de inovação ilegra, que ouviu usuários de serviços financeiros sobre o avanço da automação e do Open Finance.
Segundo o levantamento, 87% dos entrevistados querem serviços que ofereçam sugestões, mas preservem a decisão final do cliente. Outros 76% confiam em pagamentos automáticos apenas em determinadas operações ou quando há limites estabelecidos, enquanto 69% valorizam uma combinação entre tecnologia e atendimento humano. Quando perguntados sobre como preferem administrar as finanças, 67% disseram querer receber sugestões e decidir por conta própria, 20% aceitariam automatizar ações com acompanhamento posterior e 13% preferem fazer tudo manualmente. Nenhum entrevistado afirmou estar disposto a delegar integralmente as decisões a um sistema automatizado.
O estudo descreve esse cenário como uma “interface invisível”, na qual os sistemas passam a interpretar dados, hábitos e contexto para antecipar ações, como pagamentos integrados a outras jornadas de consumo e crédito oferecido no momento da compra. A pesquisa indica que 78% dos participantes desejam um banco que recomende ações, mas mantenha a decisão final nas mãos do cliente — uma espécie de “copiloto financeiro”. Dados reunidos pela ilegra junto à Febraban mostram que as transações digitais representam 82% das operações bancárias brasileiras, com o celular respondendo por 75% das 208,2 bilhões de transações realizadas em 2024.
A disposição para delegar tarefas varia conforme o risco percebido. Em pagamentos automáticos, 37% confiam na tecnologia quando existem limites, 39% confiam apenas em situações específicas e 4% rejeitam completamente a automação. No compartilhamento de dados para contratar seguros, 37% aceitariam com limites claros, 31% apenas em situações pontuais e 17% não aceitariam. O estudo também aponta que 69% dos participantes consideram o melhor modelo a combinação entre tecnologia e interação humana, especialmente em decisões de maior impacto financeiro. No setor de seguros, 67% preferem contratar proteção apenas quando identificam necessidade, enquanto 22% aceitariam que um seguro previamente escolhido fosse acionado automaticamente.
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