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Bolsa Família, MEI, Monjaro e bets: as apostas de Lula na reta final das campanha

Atualizado em 21/09/2026 às 09:05 schedule 4 min de leitura visibility 62 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A pouco mais de duas semanas do primeiro turno, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a agenda de medidas com impacto direto sobre renda, consumo e serviços públicos. Reajuste do Bolsa Família, promessa de canetas emagrecedoras no SUS e uma ofensiva contra os cassinos online se somam a iniciativas anteriores, como a proposta de ampliação do limite de faturamento do MEI.

Os movimentos ocorrem no momento em que Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) na maior parte dos cenários de primeiro turno, mas enfrenta disputa mais apertada no confronto direto. Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17), Lula tem 46% contra 44% de Flávio no segundo turno, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A AtlasIntel/Bloomberg registrou placar ainda mais estreito: Flávio com 47,2% e Lula com 46,8%, diferença de 0,4 ponto percentual. Já a Quaest divulgada na segunda-feira (14) colocou Flávio numericamente à frente pela primeira vez em sua série, com 42% a 40% do petista — em julho, Lula tinha oito pontos de vantagem sobre o senador.

A principal medida foi anunciada nesta quinta-feira. Lula reajustou em 15,04% os valores do Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio passará a R$ 777 e cerca de 19 milhões de famílias serão alcançadas. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, entre o primeiro e o eventual segundo turno. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões por ano a partir de 2027. O governo sustenta que conseguiu abrir espaço neste ano após uma revisão para baixo das despesas previdenciárias. Segundo o Datafolha, entre pessoas que recebem o Bolsa Família ou vivem em domicílios com beneficiários, Lula tem 53% contra 28% de Flávio no primeiro turno; em uma disputa direta, o placar é de 60% a 33%. A maior parte das entrevistas foi feita antes do anúncio do reajuste. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União questionou a fonte de recursos e pediu a suspensão da medida; o governo afirma que a correção está prevista na legislação do programa e recompõe a inflação acumulada desde 2023.

No mesmo dia, em visita a Montes Claros (MG), Lula levou a promessa de oferta gratuita de medicamentos injetáveis contra a obesidade pelo SUS. O Ministério da Saúde afirma que estuda a incorporação das chamadas canetas emagrecedoras e que eventual distribuição dependerá de protocolo clínico e critérios médicos, sem data para início da oferta. A Anvisa aprovou 14 novas canetas para diabetes e obesidade em 2026, incluindo novas apresentações e concorrentes de medicamentos já conhecidos. Outra frente preparada pelo Planalto mira os jogos online: o governo discute uma medida provisória para proibir cassinos virtuais, com possibilidade de novas restrições ao mercado de apostas. O texto ainda estava em elaboração nesta sexta-feira (18). Atualmente há 188 operadoras autorizadas no país, e uma eventual proibição atingiria uma atividade que gera arrecadação tributária e receitas para clubes, emissoras e patrocinadores. Entidades do futebol e da radiodifusão já reagiram às possíveis restrições.

A ofensiva sobre públicos de renda baixa e intermediária começou antes da reta final. Em junho, o governo enviou ao Congresso um projeto para elevar o teto anual de faturamento do Microempreendedor Individual dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois funcionários — hoje é permitido apenas um. O projeto fazia parte de um acordo político construído durante as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho e ainda depende de aprovação do Congresso, portanto não produz efeito imediato no bolso antes da eleição. A concentração desses temas na reta final não significa impacto eleitoral automático, já que pesquisas divulgadas ao longo de setembro apresentam diferenças entre si e mostram Lula ainda à frente em boa parte das simulações de primeiro turno.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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