As fãs de BTS que conheceram o grupo depois dos 60 anos: 'Morri de vergonha, mas fui'
O grupo sul-coreano BTS faz três apresentações no estádio do MorumBIS, em São Paulo, nesta quarta-feira (28/10) e nos dias 30 e 31 de outubro. Os integrantes estavam em hiato desde 2022, quando suspenderam as atividades para cumprir o serviço militar obrigatório, e a última passagem do BTS pelo Brasil foi em 2019. Todos os setores das três datas esgotaram em menos de uma hora e meia após a abertura da venda geral.
Entre os fãs que se preparam para os shows estão mulheres que conheceram o grupo depois dos 60 anos. Eliette Amaral, de 63 anos, quase não foi à festa de aniversário de um fã-clube do BTS em 2022, em Maringá, no Paraná, cidade vizinha de Sarandi, onde mora. O convite veio da afilhada. "Morri de vergonha, mas fui", conta. Levou junto a neta, que na época tinha 15 anos. Lá dentro, só havia meninas, e Eliette foi a mais velha da festa até chegar outra senhora da idade dela. As duas passaram a noite conversando. Depois vieram outros encontros, sessões de cinema, troca de lembrancinhas e um grupo de amigas, muitas delas bem mais novas.
Eliette ouviu falar do BTS pela primeira vez por meio da afilhada, que foi ao show do grupo no Brasil em 2019. O interesse veio em 2022, quando viu Jungkook cantar "Dreamers" na cerimônia de abertura da Copa do Mundo do Catar. Ela estava se aposentando e tinha passado por duas covids. Hoje participa de dois grupos de fãs e ajuda a montar um terceiro, em Sarandi. Durante o período em que os integrantes cumpriam o serviço militar — os últimos deixaram o serviço em junho de 2025 —, as amigas mantiveram o hábito de se reunir para assistir a shows antigos e comemorar o aniversário de cada um deles. "Elas me ajudam a viver, me ajudam a sorrir", diz. "Você não se sente mais sozinha."
Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, chegou ao BTS por outro caminho. Pensionista, acompanhava outros grupos coreanos quando pediu ao neto que lhe mostrasse outros artistas. "Entre as sugestões estava o BTS, e foi amor à primeira vista", conta, em entrevista ao lado da neta, a professora Beatriz Horta, de 28 anos. Quando a turnê foi anunciada, Júlia pediu à neta que a levasse ao show. Beatriz não conseguiu comprar os ingressos no dia da venda, e uma amiga, também fã, comprou para as duas. O vídeo em que Beatriz conta à avó que elas iriam ao show passou de 800 mil visualizações. As duas vão ao show do dia 31.
Para a neuropsicóloga Veruska Vasconcelos, especialista em gerontologia, a solidão na velhice nem sempre tem a ver com estar sem gente por perto. Segundo ela, o fandom pode oferecer um tipo de encontro que outros espaços nem sempre oferecem. "Na família, aquela mulher talvez seja reconhecida principalmente como mãe, avó ou cuidadora. No fandom, ela pode ser reconhecida pelo que gosta, sabe, compartilha e descobre." A especialista faz uma ressalva: ainda não há evidência suficiente para dizer que fazer parte de um fandom como esse previne depressão em idosos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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