As dificuldades de Lula e Trump com Congressos de oposição
O comentarista Alexandre Garcia avalia que a derrota de Donald Trump nas eleições legislativas norte-americanas não pode ser comparada diretamente à situação do presidente Lula diante do Congresso brasileiro. Segundo ele, as relações entre o Legislativo e o Executivo nos Estados Unidos seguem regras e uma Constituição diferentes das que regem o diálogo entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.
Nas eleições de 3 de novembro, os republicanos perderam a maioria que detinham na Câmara e no Senado, e os democratas passaram a ser maioria. Garcia lembra que esse cenário já ocorreu com outros presidentes: Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama enfrentaram Congressos de oposição em eleições de meio de mandato e continuaram governando. No caso de Trump, o comentarista afirma que a mudança no Legislativo não altera a autonomia e o poder do presidente, que segue como chefe do Executivo e das Forças Armadas.
As dificuldades maiores, na avaliação do colunista, devem recair sobre Lula. Ele aponta que o presidente brasileiro, mesmo com a possibilidade de editar medidas provisórias, enfrentará oposição forte — como na medida provisória sobre os impostos criados pela reforma tributária. Garcia cita um abaixo-assinado de centenas de entidades empresariais contrário à definição de alíquotas até 15 de dezembro para vigência em 1.º de janeiro de 2027, sob o argumento de que as empresas não teriam estrutura de contabilidade e planejamento para se adaptar no prazo.
O comentarista também critica a retirada da votação sobre a redução da maioridade penal. Segundo ele, Lula prometeu a medida no fim da campanha e, após a reeleição, pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que retirasse o assunto da pauta. O tema estava pronto para votação dentro da PEC da Segurança Pública, mas Alcolumbre justificou que a Câmara já tratava do assunto e deveria decidir.
Sobre a economia, Garcia destaca a decisão do Copom de manter a taxa Selic, rejeitando de forma unânime a pressão do governo por mais queda. O comitê afirmou que a inflação está aumentando, rumando para o dobro da meta de 3%, e que a taxa básica não muda por enquanto diante da insegurança e da expectativa sobre o futuro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar