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Ameaça nuclear do Irã? Conheça a Montanha “Picareta”, que Trump promete atacar

Atualizado em 12/09/2026 às 10:50 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Imagens de satélite analisadas pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) apontam um aumento expressivo da atividade de construção na fortificação iraniana conhecida como Montanha Pickaxe — "Picareta", em tradução literal. O movimento reforça a suspeita de que o local venha sendo preparado, ao longo dos últimos anos, para se tornar uma futura instalação de enriquecimento de urânio ou um refúgio nuclear seguro para o Irã.

Segundo a análise, o Irã manteve as obras após a Operação Midnight Hammer, em junho de 2025. Entre junho e setembro daquele ano, o país concluiu a cerca perimetral de segurança ao redor de toda a instalação, reforçou e ampliou entradas de túneis com portas de portal e acelerou o ritmo das escavações. O acompanhamento por satélite desde 2020 revela atividade trifásica nos cinco principais pontos de interesse e nas estradas que os conectam. Para o CSIS, há indícios de remoção de deterioração da escavação — típica de um canteiro em transição da fase de corte para a de construção —, provável sinal de que os trabalhos avançaram para o interior da estrutura subterrânea.

O que é o local

A Pickaxe fica na cordilheira Zagros, na província iraniana de Isfahan, a quase 1,5 quilômetro ao sul do complexo de enriquecimento de Natanz. O nome ocidental é atribuído a um pequeno acidente de tradução: em farsi, a montanha é chamada de Kuh-e Kolang Gaz La, e "kolang" significa picareta. O Irã nunca teria dado um nome público ao local. A instalação é um grande complexo de túneis subterrâneos construídos a cerca de 100 metros abaixo da superfície, com obras iniciadas em 2020, meses após uma explosão destruir uma fábrica de montagem avançada de centrífugas acima do solo em Natanz, em ataque atribuído a Israel. O local foi escolhido porque a montanha é composta por granito duro e denso, o que oferece proteção natural substancial.

Ninguém sabe ao certo o que o Irã mantém sob a montanha. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nunca teve acesso ao local, que conta com perímetro duplo de segurança — uma cerca e um muro com rota de patrulha circundando toda a montanha —, integrado ao perímetro de Natanz. Imagens de satélite mostram duas entradas de túnel, uma no lado leste e outra no oeste. O Irã afirma que o espaço serve à produção e montagem de centrífugas avançadas, mas análises indicam que a área sob a montanha é grande o suficiente para abrigar também uma planta de enriquecimento funcional capaz de produzir urânio de grau militar e até uma fundição de urânio metálico para moldagem de componentes de armas. A inteligência israelense sustenta que os 440 quilos de urânio enriquecido a 60% do Irã já teriam sido transferidos para a instalação.

Especialistas em estratégia consideram muito difícil danificar uma instalação montada sob 100 metros de granito. A GBU-57, maior bomba anti-bunker do arsenal dos EUA, penetra 18 metros de concreto ou 61 metros de terra. As entradas dos túneis em Pickaxe têm formato curvo em U, o que pode impedir que mísseis percorram diretamente o corredor e reduzir ondas de choque. Uma análise do Instituto de Ciência e Segurança Internacional destaca que mesmo uma instalação enterrada precisa de energia, ventilação, aquecimento, resfriamento, entregas e circulação de pessoas — vulnerabilidades que poderiam ser exploradas em eventual ataque, com foco nos dutos de ventilação e nas bocas dos túneis. O governo iraniano insiste que não há nada para bombardear no local.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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