A vida consagrada santifica a Igreja!
Cardeal Orani: vida consagrada é sinal de contradição e testemunho do Evangelho
Em artigo divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, afirma que a Vida Religiosa Consagrada não é um fenômeno tardio na história do Cristianismo, mas uma "torrente contínua de graça" que remonta às suas origens. O texto destaca o papel dos consagrados como um "sinal de contradição" diante do relativismo e do culto ao efêmero na sociedade contemporânea.
O cardeal recorda que, após o Edito de Milão (313 d.C.) e o fim das perseguições imperiais, a Igreja conquistou a paz exterior, mas enfrentou o risco do arrefecimento do ardor evangélico diante da assimilação social. Foi nesse contexto que surgiram os Padres e Mães do Deserto, como Santo Antão do Egito, São Pacômio e Santa Sincletética, que buscaram no deserto da Tebaida um "combate espiritual" contra as ilusões do ego e do pecado, inaugurando o chamado "martírio branco": uma doação diária a Cristo por meio da oração, do jejum e do silêncio.
Ao longo dos séculos, o texto destaca a atuação de São Basílio Magno na organização do monasticismo oriental, a Regra de São Bento de Núrsia no século VI, com o equilíbrio entre oração e trabalho, e a revolução das Ordens Mendicantes no século XIII, com São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão, que levaram a pregação aos centros urbanos. A partir do século XVI, a Igreja abriu caminho para a Vida Consagrada Apostólica e Missionária, com congregações voltadas à educação, à saúde e ao serviço aos pobres, além do acolhimento contemporâneo dos Institutos Seculares e das Novas Comunidades.
O cardeal ressalta que a doutrina católica, compilada no Catecismo da Igreja Católica e no decreto Perfectae Caritatis do Concílio Vaticano II, atesta que a Vida Consagrada pertence à vida e à santidade da Igreja. Ele cita ainda a Exortação Apostólica Vita Consecrata (1996), de São João Paulo II, segundo a qual a profissão dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência é um "sinal escatológico" que antecipa a vida da ressurreição.
Para o arcebispo, a Vida Consagrada não existe para se adequar às conveniências de uma época, mas para proclamar a "verdade incômoda do Evangelho". Seja no silêncio do claustro ou na atuação missionária em praças, periferias e hospitais, os consagrados lembram a necessidade de conversão sincera e urgente, mantendo aceso o "Fogo do Espírito" e atestando que o Reino dos Céus é a pérola preciosa pela qual vale a pena apostar tudo.
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