Vale (VALE3) quer avançar em terras raras? Entenda os planos da empresa
A Vale (VALE3) apresentou um plano para impulsionar a mineração no Brasil, mas a entrada efetiva no segmento de terras raras ainda não está nos planos concretos da companhia. O documento, chamado “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, foi lançado em um fórum em Brasília no dia 18 de agosto, com a presença de representantes do governo federal, do setor produtivo e especialistas em infraestrutura.
O plano prevê medidas como a otimização e padronização dos processos de licenciamento, a criação de um programa de qualificação com uso de compensação financeira da exploração de recursos minerais e a implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Apesar do apoio declarado ao fortalecimento da exploração de minerais críticos, o documento não prevê formalmente a entrada da mineradora no segmento de terras raras.
O tema ganhou destaque após declarações de autoridades. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse ter intenção de “olhar com a Vale” minerais como lítio, cobre e terras raras. Na sequência, durante a Exposibram, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ter “absoluta certeza” de que a Vale, como referência global do setor, vai olhar para a necessidade de grandes projetos no Brasil, além do minério de ferro, especialmente em minerais críticos e estratégicos, como as terras raras.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, no entanto, afirmou que o foco da companhia segue em commodities nas quais já há vantagem competitiva e escala, como minério de ferro, cobre e níquel. “Mas estamos sempre estudando outras commodities. Terras raras, lítio, são parte de estudo e não tomamos nenhuma decisão de investimento”, disse. Ele acrescentou que qualquer iniciativa dependerá da disciplina na alocação de capital.
Enquanto a exploração direta de terras raras não avança, a companhia estuda a obtenção do material por meio de mineração circular, a partir de rejeitos. A Vale já trabalha com reaproveitamento de rejeitos, como na Barragem do Gelado, no Pará, onde extrai minério com alto teor de ferro desde 2023. O vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar, afirmou que a companhia está “cautelosamente otimista” com os resultados, mas que as análises ainda estão em estágio inicial e sem viabilidade econômica quantificada. Segundo o presidente do Ibram, Pablo Cesário, a capacidade de processamento mineral em escala industrial e a falta de mercado estruturado no país são os principais entraves para a exploração de terras raras no Brasil, já que a tecnologia e a infraestrutura de mercado estão concentradas majoritariamente na China.
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