Vale do Silício enfrenta enxurrada de falhas descobertas por IA
Em 21 de outubro, Fouad Matin, responsável pelos esforços de preparação e segurança cibernética da OpenAI, planejava comemorar seu aniversário com amigos. Passou a noite com cerca de duas horas de sono, coordenando a correção de duas vulnerabilidades críticas descobertas por inteligência artificial que ameaçavam afetar grande parte da internet. O trabalho envolveu pesquisadores de startups e de gigantes da tecnologia, além de autoridades governamentais dos Estados Unidos e de outros países. Outras falhas encontradas por IA ainda aguardavam correção.
Segundo Matin, a OpenAI mantém várias equipes dedicadas à cibersegurança e destina um volume significativo de capacidade computacional para localizar e corrigir problemas. A tecnologia, afirmou, "realmente abre essa caixa de Pandora de vulnerabilidades". Para ele, as empresas de IA têm a responsabilidade de encontrar e corrigir falhas porque o objetivo é examinar e reparar o máximo possível do software existente no mundo.
O volume de problemas tem sido avassalador. Em maio, a OpenAI começou a usar sua tecnologia para procurar vulnerabilidades em softwares de código aberto, amplamente utilizados por serem gratuitos e por sustentarem boa parte da internet. Até agora, a empresa afirma que seus modelos foram usados por pesquisadores internos e externos para encontrar mais de 1.300 falhas. Em junho, o Google utilizou IA para encontrar e corrigir 1.072 falhas em seu navegador Chrome, mais do que havia corrigido nos dois anos anteriores. Somente neste mês, a Microsoft publicou 1.461 correções.
Para Matteo Collina, diretor de tecnologia da startup Platformatic e um dos mantenedores do Node.js, o cenário deve se agravar. "Esse é o primeiro fluxo que está surgindo, e vai ficar dez vezes pior", disse. O Node.js foi inundado por relatórios de falhas e confirmou e corrigiu 50 vulnerabilidades neste ano, mais do que em qualquer outro período de sua história, segundo a OpenJS Foundation. Neste mês, a OpenAI procurou Collina para alertá-lo sobre uma falha que poderia permitir a invasão de sistemas em toda a internet e o roubo de dados. Ele afirmou trabalhar sete dias por semana e usar agentes de IA durante a madrugada.
A caça a falhas, antes atividade essencialmente humana, mudou de perfil. Em julho, pesquisadores da empresa de cibersegurança Calif e seus agentes de IA encontraram no PHP, usado na construção de cerca de 70% dos sites da internet, uma vulnerabilidade escondida no código havia mais de uma década. O grupo se uniu a especialistas da Wiz, controlada pelo Google, e trabalhou por semanas ao lado de integrantes da OpenAI e da PHP Foundation. A correção exigiu alterações em cerca de 200 arquivos, segundo o CEO da Calif, Thai Duong. Para Matthew Prince, CEO da Cloudflare, "nos próximos dois anos, viveremos em uma realidade na qual, em média, surgirá uma vulnerabilidade crítica de alcance global toda semana".
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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