Um drone matou três ucranianos. Ele era guiado inteiramente por IA.
Drone russo guiado por IA mata três civis em Zaporizhzhia, apontam investigações
Um ataque com drone na cidade de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, no dia 6 de julho, matou três civis, entre eles uma estudante universitária de 19 anos. De acordo com especialistas em drones, comandantes militares ucranianos e a equipe forense que examinou os destroços, o equipamento era guiado por um sistema experimental de inteligência artificial, sem piloto humano.
Segundo as investigações, operadores programaram o drone para seguir em direção a um posto de gasolina. Ao se aproximar do local, porém, a máquina selecionou sozinha o alvo específico — provavelmente tanques de gás propano — com base em seu treinamento para identificar esse tipo de estrutura. A análise dos destroços encontrou minicomputadores embarcados produzidos pela Nvidia, que seriam responsáveis pelas decisões de seleção de alvos. A ausência de antenas nos drones levou os comandantes ucranianos a concluir que as armas eram operadas por um sistema autônomo de IA.
Pesquisadora do Wadhwani AI Center, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), Kateryna Bondar afirmou que o ataque pode ser o primeiro caso documentado em que civis morreram vítimas de um drone russo equipado com sistema autônomo desse tipo. Como o chip encontrado não estava criptografado, autoridades ucranianas conseguiram acessar imagens e códigos que indicavam os tipos de alvos que a aeronave havia sido treinada para reconhecer, incluindo tanques de propano.
Autoridades da defesa aérea afirmam que a Rússia vem utilizando Zaporizhzhia como campo de testes para drones autônomos, mirando postos de combustível, tanques de propano e centros de recrutamento militar. O coronel Serhiy Minaiev, comandante da defesa aérea local, disse que o uso dessas armas representa um risco para o mundo inteiro. A Nvidia confirmou que as imagens dos destroços mostram um minicomputador Jetson Orin, vendido por algumas centenas de dólares, e afirmou que o produto é destinado a estudantes, desenvolvedores e startups para aplicações legítimas. A empresa não vende o sistema na Rússia, embora ele possa ser adquirido por meio de revendedores.
A Ucrânia também vem testando sistemas autônomos. Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa, afirmou que o país realizou testes de IA totalmente autônoma na Crimeia ocupada pela Rússia, atacando depósitos de combustível e equipamentos militares sem provocar mortes de civis. Grupos de direitos humanos e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha se opõem ao uso de armas autônomas sem supervisão humana, enquanto outros especialistas argumentam que a IA poderia reduzir danos colaterais em comparação com bombas não guiadas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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