“Torre Eiffel” da Rússia corre risco de ser desmontada; especialistas apelam a Putin
Equipes contratadas pelo Kremlin devem chegar nesta semana à rua tranquila ao sul do centro de Moscou onde está a Torre de Rádio Shukhov para iniciar o desmonte do monumento, um dos ícones da arquitetura soviética do século XX. Os proprietários da estrutura afirmam que a torre de aço vazado, corroída pelo tempo, está além de qualquer reparo e que alternativas à demolição seriam financeiramente inviáveis.
O plano de desmontar a torre, concluída em 1922, mobilizou um movimento em defesa de sua preservação. Em uma rara demonstração de contestação pública na Rússia em tempos de guerra, arquitetos, engenheiros e especialistas em patrimônio assinaram uma petição aberta pedindo que o governo reconsidere a decisão. Eles também organizaram um festival dedicado à torre e a outras obras de Shukhov, além de promover passeios guiados gratuitos para destacar o valor de seu legado.
Segundo o historiador da arquitetura Airat Bagautdinov, um dos líderes da campanha de preservação, a decisão do Estado foi motivada principalmente por questões de custo. A mobilização em torno da torre lembra protestos contra alguns dos planos do presidente Donald Trump para remodelar a capital dos Estados Unidos.
Com 148 metros de altura, a torre foi encomendada por Vladimir Lenin com o objetivo de difundir a mensagem do comunismo por todo o vasto território soviético por meio da então nova tecnologia do rádio. Mas a estrutura sempre representou mais do que um simples transmissor. Uma das primeiras grandes obras realizadas após a Revolução Russa, foi projetada para transmitir beleza e otimismo, funcionando como símbolo do progresso e das ambições globais do jovem Estado comunista. Alguns a comparam à Torre Eiffel, em Paris.
Décadas de abandono e manutenção insuficiente, porém, corroeram a estrutura metálica. A última pintura foi realizada em 1964. A torre foi praticamente desativada no fim de 2001 e, em 2014, chegou a ter sua demolição planejada. Na época, contudo, os protestos e a repercussão na imprensa russa e internacional garantiram uma sobrevida ao monumento. Agora, o Ministério da Cultura da Rússia voltou a abrir caminho para o desmonte total da estrutura ao reduzir seu nível de proteção patrimonial. Suas formas hiperbólicas, que lembram um telescópio gigante ou uma árvore de Natal, continuam sendo um dos ícones mais reconhecíveis da arquitetura russa do século XX.
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